Almeida Júnior (1850– 1899)
José
Ferraz de Almeida Júnior, pintor de formação acadêmica
foi, possivelmente, o primeiro artista plástico brasileiro a introduzir
o homem do povo, em seu cotidiano, às telas, particularmente na última
década de sua vida. O tratamento da luz tropical, o abandono da monumentalidade
das obras e a inserção dos personagens no cotidiano brasileiro
marcaram seu trabalho. Foi considerado um precursor dos modernistas.
Paulista de Itu, aos dezenove anos ingressou na Academia Imperial de Belas
Artes, no Rio de Janeiro, onde teve aulas de desenho com Jules Le Chevrel
e de pintura com Victor Meirelles. Contemplado com uma bolsa, foi estudar
na França entre 1876 e 1882, na Escola Nacional Superior de Belas Artes,
como aluno de Alexandre Cabanel.
Em seus últimos trabalhos, principalmente, revela influência
dos realistas Courbet
(que presidiu a comissão de belas-artes da Comuna de Paris) e Corot.
A Pinacoteca do Estado de São Paulo – que em 2000 realizou exposição
em sua homenagem, quando vários artistas contemporâneos fizeram
releituras de alguns de seus trabalhos – possui em seu acervo um conjunto
de obras do artista. Algumas também podem ser vistas no Museu Nacional
de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e no Museu de Arte de São Paulo,
entre outros.
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O
Violeiro - 1899 óleo sobre tela - 141 x 172 cm Pinacoteca do Estado de São Paulo |
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Caipira
picando fumo - 1893 óleo sobre tela - 70 x 50 cm Pinacoteca do Estado de São Paulo |
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As
Lavadeiras - 1875 óleo sobre tela - 82 x 42 cm Coleção Particular |
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Recado
difícil - 1895 óleo sobre tela - 138 x (?) cm Museu Nacional de Belas Artes |
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Pescando
- 1894 óleo sobre tela - 64 x 85 cm Coleção Particular |
Crítica:
"Creio
que a questão da possibilidade de uma pintura nacional foi em São
Paulo mesmo resolvida por Almeida Júnior, que se pode muito bem adotar
como precursor, encaminhador e modelo. Os seus quadros, se bem que não
tragam a marca duma personalidade genial, estupenda, fora de crítica,
são ainda o que podemos apresentar de mais nosso como exemplo de cultura
aproveitada e arte ensaiada."
Oswald de Andrade
ANDRADE, Oswald. Em prol de uma pintura nacional. In: ______.
Estética e Política. São Paulo: Globo, 1991. [Texto publicado
originalmente na revista O Pirralho. São Paulo, 2 jan. 1915, seção
Lanterna Mágica].
"Já
nos últimos dias monárquicos, a inteligência plástica
brasileira principia se inquietante de sua funcionalidade nacional, de alguma
forma anunciando os tempos modernos. A influência da técnica
européia ainda predomina, e predominará até os nossos
dias, mas os artistas de maior valor se voltam para a expressão da
terra e do homem. O pernambucano Teles Júnior cria paisagens nordestinas
de caráter vigoroso e fiel; e em São Paulo, Almeida Júnior,
em luta aberta com as luzes do nosso dia e a cor da terra que a sua paleta
parisiense não aprendera, analisa com firmeza os costumes e o tipo
do caipira. Mas isto já era a República, e ecoa o que estavam
fazendo na música, com as mesmas hesitações e felicidade
intermitente, Alexandre Levi e Alberto Nepomuceno."
Mário de Andrade
ANDRADE, Mário. As artes plásticas no Brasil.
Revista da Academia Paulista de Letras, ano VII, n. 26, 12 jun. 1944, p. 27.
Citado na publicação ALMEIDA JÚNIOR: vida e obra. São
Paulo: Art Editora, 1979, p. 30.
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