Mestres do Cinema Mexicano
Homenagem ao Centenário de Emilio “El Indio” Fernández
Mostra organizada pelo Consulado Geral do México no Rio de Janeiro, em conjunto com o Departamento de Cinema e Vídeo do Instituto de Arte e Comunicação da Universidade Federal Fluminense-UFF
De 8 a 17 de março de 2005 na Cinemateca do MAM-Rio de Janeiro
(programação e horários abaixo)
Filmes e mesa-redonda sobre o cinema clássico mexicano.
Cópias novas e restauradas, todas em 35mm.
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Não se pode pensar no chamado período de ouro do cinema mexicano sem retomar o sempre atual tema do papel do Estado como incentivador das artes e da cultura em geral. O cinema mexicano ganhou impulso a partir do sucesso de Allá en el Rancho Grande, de 1936, dirigida por Fernando de Fuentes, que obteve reconhecimento da crítica internacional e acionou os mecanismos que fizeram o México investir na produção fílmica a partir de um modelo cinematográfico baseado nos grandes estúdios e na segmentação em gêneros.
Um dos mais frutíferos exemplos das relações entre cinema e Estado encontra-se na experiência mexicana no início da década de 40 do século passado, quando se pensou em uma verdadeira política de desenvolvimento para o audiovisual. É na presidência de Ávila Camacho (1940-1946) que a indústria cinematográfica mexicana ganha vulto através de uma bem urdida estrutura de incentivos públicos e privados. Em 1941, foi ratificada uma lei ainda do governo Cárdenas (1934-1940), que obrigava a exibição de filmes nacionais em todas as salas do país. Em 1942, foi criado o Banco Cinematográfico, instituição privada que contava com o apoio do Estado, filiada ao Banco de México. Em 1947, ele foi nacionalizado no governo de Miguel Alemán, passando a se chamar Banco Nacional Cinematográfico e se converteria na primeira experiência latino-americana de uma fonte de crédito exclusiva para o cinema, tendo, sob sua responsabilidade, duas distribuidoras: a Películas Nacionales, criada em 1947, que operava no território mexicano, e a Películas Mexicanas (Pelmex), fundada em 1945, que distribuía para toda a América Latina os filmes da CLASA, Filmex, Grovas e Films Mundiales e que também controlava uma rede de mais de quarenta salas espalhadas pelo continente e Espanha. De um lado, um governo ultraconsciente do papel que o cinema desempenhava na formação de um imaginário nacional e, de outro, toda uma fortuna acumulada por empresários ávidos em aproveitar as oportunidades econômicas geradas pela Segunda Guerra Mundial. Com a Europa e os Estados Unidos envolvidos na guerra, Argentina e México aproveitaram as chances de suprir de filmes os mercados hispânicos, incluindo aí a Espanha.
O ano de 1940 marca a estréia de Cantinflas com Ahí está el detalle, seguido de Ni sangre, ni arena (1941), paródia de Sangue e areia, (com Tyrone Power e Rita Hayworth). Dois outros sucessos sinalizam o início dessa década de ouro: o melodrama Cuando los hijos se ván, estrelado pela “mãe favorita de todos os tempos”, Sara Garcia, e a comédia Ay Jalisco, no te rajes!, que estabeleceu Jorge Negrete como o ator-cantor por excelência.
O país investe em um processo industrial de cinema e, simultaneamente, na formação de uma iconografia que ampare seu projeto nacional-desenvolvimentista. Apoiados em um eficiente star-system, diversos gêneros narrativos são cristalizados no período, como o melodrama (e suas variadas sub-categorias, como o urbano, o rural, o de cabareteras...), o romance policial, a comédia, a comédia ranchera (repleta de números musicais de matriz folclórica e popular). De uma maneira ou de outra, todos esses gêneros trazem a marca de uma imaginação melodramática.
Emílio “El Indio” Fernández talvez seja uma das figuras que melhor materializem esse projeto de construção de uma iconografia da identidade nacional mexicana. Filho de pai espanhol e mãe indígena, nasceu em Coahuila, México, em agosto de 1904. Costumava criar muitas lendas em torno de si mesmo: contava que ensinou Rodolfo Valentino a dançar e que posou nu para o escultor que fez a estatueta do Oscar. O mito, a lenda e o gênio se combinaram neste pitoresco personagem, que oscilava entre a brutalidade e a ternura. Reza a lenda que abandonou seus estudos para unir-se à Revolução Mexicana quando tinha 12 anos. Capturado pelas tropas do governo, foi condenado a vinte anos de prisão, fugiu e migrou para os Estados Unidos onde permaneceu por vários anos trabalhando em Hollywood. No começo dos anos trinta, regressa ao México para trabalhar como ator de cinema, ofício que alternará com o de diretor a partir de sua estréia na direção em La Isla de la Pasión, de 1941. Embora as origens da carreira de Fernández se confundam no mar de contradições que o próprio diretor gerou em suas muitas declarações à imprensa e a seus biógrafos, o certo é que “El Indio” se envolveu completamente com o cinema no final dos anos vinte, ainda em Hollywood. Suas participações como figurante na capital do império do cinema trouxeram muitas amizades com vários dos mexicanos que trabalhavam naquela cidade, muitos dos quais voltariam ao México para integrar-se à nascente indústria do cinema. Fernández regressou a seu país por volta de 1934, ano em que participou, como ator, em Corazón Bandolero (1934), de Raphael J. Sevilla e em Janitzio (1934), de Carlos Navarro, seu primeiro papel como protagonista.
Emílio Fernández influenciado por Serguei Eisenstein, John Ford e pela pintura de Diego Rivera e José Clemente Orozco. Mas foi mesmo com a indispensável colaboração do fotógrafo Gabriel Figueroa, do roteirista Maurício Magdaleno, da montadora Gloria Schoemann e dos atores Dolores del Río e Pedro Armendáriz, entre outros, que “El Indio” construiu uma estética muito particular, projetando diversos signos de mexicanidade no imaginário internacional. Considerado fundador da “escola mexicana de cinema”, Fernández é o responsável maior pelo reconhecimento internacional da originalidade e importância que esse cinema teve nas décadas de 40 e 50 e que, ainda hoje, impacta cinéfilos mundo afora. Sua obra, no geral, é profundamente nacionalista e simpática ao discurso indigenista da época. Recuperava, assim, uma matriz popular que romantizava o indígena, freqüentemente associado a um passado inocente e idílico de uma suposta cultura pré-colombiana. Em estreita colaboração com o mestre da fotografia de cinema Gabriel Figueroa, “El Indio” constrói uma forte identidade visual mexicana glorificada na paisagem, na dramaticidade de um céu desenhado por nuvens, na afirmação de uma indumentária “tipicamente mexicana” – como o sarape e o rebozo - e, mais importante, na extrema beleza de rostos heróicos indígenas, domesticados na plástica perfeita de dois magníficos e sublimes atores: Pedro Armendáriz e Dolores del Río.
Pedro converteu-se no galã por excelência, tendo atuado em mais de 160 produções mexicanas e, aproximadamente, trinta filmes entre Estados Unidos, França, Espanha, Inglaterra e Itália. Contracenou com estrelas como Martine Carol e Silvana Mangano, mas foi com a mexicana Dolores del Río que conseguiu uma química perfeita. Esta, por sua vez, foi a primeira estrela mexicana de cinema com apelo internacional, conquistado através de uma extraordinária carreira nos anos vinte em Hollywood. A convite de Fernández, a atriz regressou ao México em 1942, depois de sua separação de Cedric Gibbons, famoso diretor de arte da Metro-Goldwyn-Mayer e após rumores de um possível affair com Orson Welles. Com seu papel em Flor Silvestre (1943), a atriz tornou-se, com quase 40 anos, a maior estrela de cinema de seu país. Atuou em mais de 80 filmes, entre Estados Unidos, Europa, México e Argentina.
Figueroa é considerado um dos melhores fotógrafos de cinema de todos os tempos. Nasceu na Cidade do México em 1908 e começou como fotógrafo de still, em 1932, em Revolución, de Miguel Contreras Torres. Em 1935, vai para Hollywood com uma bolsa de estudos para estudar com Greg Toland, fotógrafo de Cidadão Kane. Seu primeiro filme como diretor de fotografia, Allá en el Rancho Grande, foi premiado no Festival de Veneza. A parceria com Fernández se inicia com Flor Silvestre e durou treze anos. Em 23 filmes, a dupla desenvolveu o que é considerada uma estética nacionalista por excelência, bem representada em filmes como Enamorada (1946), Rio escondido (1947) e Pueblerina (1948).
Para sempre identificados como sinônimo da quintessência do cinema mexicano de qualidade, Fernández e Figueroa afinaram o projeto de construção de uma identidade visual nacional cujo desejo ia de encontro ao cinema de décadas anteriores, considerado derivativo do teatro (da zarzuela, musical espanhol) e, também do cinema hegemônico de Hollywood. Contrário a uma mera expressão mimética que marca não apenas o México, mas a América Latina em geral, numa espécie de “complexo de inferioridade” perene, conseqüência, afinal, do pós-colonialismo — onde padrões estéticos e visões de mundo eurocêntricas, representados em noções de “cultura”, “bom gosto” e “inteligência” eram impostos como uma tradição natural que o continente deveria simplesmente absorver sem reflexão — Fernández, ao contrário, se inspirou em artistas mais próximos dele como, entre outros, Diego Rivera, Rodrigues Lozano, Guadalupe Posada e, sobretudo, no pintor Gerardo Murillo. Também conhecido sob o pseudônimo de Dr. Atl, Murillo foi quem primeiro rejeitou o pictorialismo eurocêntrico ao explorar temas mexicanos em uma nova linguagem visual, complementando a perspectiva linear tradicional com outra, curvilínea, que acentuava as formas esféricas da natureza. É a partir das contribuições pictóricas de Murillo e do trabalho gráfico de Posada — em especial em sua famosa série de magueyes — que Fernández se inspira para construir cinematograficamente a paisagem mexicana tão celebrada em seus filmes.
A seleção de filmes programados nesta mostra, além de celebrar o centenário de Fernández e, por que não, também o de Dolores del Río, nascida em 1904, testemunha, em seu conjunto, o trabalho coletivo de artistas excepcionais e de um momento ímpar na história do cinema mundial.
Programação
da Cinemateca do MAM
08/03, 18h30 Santa entre demônios (Salón Mexico, 1948). Com Marga López, Miguel Inclán, Rodolfo Acosta. 95’.
Mercedes, dançarina e prostituta (cabaretera) do Salón México, trabalha para pagar os estudos da irmã caçula, que nada sabe sobre a real ocupação da irmã. Vencedora de um concurso de dança com Paco, seu cafetão, este se nega a dividir o prêmio. Quando ela rouba o dinheiro, seus problemas se agravam. O filme é um dos poucos em que Fernández se volta exclusivamente ao cenário urbano, não incorporando a dicotomia clássica entre rural X urbano, que simbolizava a contradição entre inocência/virtude e ameaça. Paradoxalmente, o diretor considerava essas obras urbanas (que incluem Vítimas do Pecado, de 1950) como filmes menores, por sua adesão mais óbvia a um repertório melodramático mais tradicional. No entanto, são exatamente esses filmes que catalisam o maior número de elogios e reconhecimento por parte da crítica que, recentemente, tratou de rever a obra e a importância do diretor.
09/03, 18h30 Flor Silvestre (Flor Silvestre, 1943). Com Dolores del Río, Pedro Armendáriz, Miguel Ángel Ferriz. 94’.

No povoado de Bajío, início do século XX, o filho de fazendeiros José Luis se casa secretamente com a bela camponesa Esperanza. Don Francisco, pai de José Luis, desaprova o casamento e acaba por deserdar o filho, que se junta então à Revolução. A felicidade do casal permanece até a consolidação da Revolução, quando falsos revolucionários seqüestram Esperanza e seu filho, impondo a José Luis, mais uma vez, um destino de lutas. Antes deste filme, Fernández havia realizado outros dois de menor expressividade e popularidade (La isla de la Pasión, em 1941 e Soy puro mexicano, em 1942) até que produz este melodrama capitaneado pelo produtor e diretor da Films Mundiales, Agustín J. Fink. A produtora havia sido fundada em 1939 para instaurar um modelo industrial a exemplo de Hollywood, mantendo um sistema de contratos de exclusividade. Será este o sistema que irá reunir em torno de Fernández , Gabriel Figueroa e o roteirista Maurício Magdaleno. A equipe, assim como Fink, convidam a já famosa atriz Dolores del Río para participar do filme, junto com Pedro Armendáriz, e Flor Silvestre se transforma num enorme sucesso de público, marcando o início dessa colaboração e a inscrição de del Río como diva, também, do cinema mexicano.
10/03, 18h30 Coração torturado (Bugambilia, 1944). Com Dolores del Río, Pedro Armendáriz, Julio Villarreal. 105’.
Em meados do século XIX, Amália, filha de um rico mineiro, apaixona-se pelo capataz Ricardo, mas o amor de ambos não é aprovado pelo pai da moça. Ricardo parte para Guanajuato, onde enriquece com mineração e volta para casar com Amália. Contudo, o destino ainda há de reservar um trágico desenlace para o casal. A produção do filme foi permeada por estouros no orçamento, que incluía despesas com uma detalhada reconstrução de interiores em estúdio e todo um suntuoso figurino para Dolores del Río, criado por Royer, estilista de Hollywood e o mesmo que assina os modelos usados pela atriz em Las Abandonadas (1944). Coração torturado é o quinto filme de Fernández, e o terceiro que reúne toda a equipe (Figueroa, Magdaleno, a montadora Gloria Schoeman, Dolores del Río e Pedro Armendáriz). Esta equipe completa (com exceção de Gloria, que não montou o primeiro filme do grupo, Flor Silvestre) produziu, ao todo, cinco filmes, dos quais quatro estão nesta mostra. Como em outros melodramas realizados pelo grupo, comparecem questões vinculadas a diferenças de origem social, como barreira para o desenlace amoroso, o que se desenvolve através da exaltação da beleza “mestiça” de Dolores del Río. Muitos foram os conflitos de relacionamento entre a diva e o diretor nas filmagens de Coração torturado, tendo ela declarado que este seria o último filme que faria com Fernández. No entanto, ainda fez mais dois, La malquerida (1949), e Reportaje (1953).
11/03, 17h A permanência do melodrama. Mesa redonda e debate com o Exmo. Sr. Jorge Sánchez, Cônsul Geral do México no Rio de Janeiro; Sílvia Oroz, pesquisadora e especialista em cinema latino-americano; Maurício de Bragança, doutorando em Letras (UFF); Mariana Baltar, doutoranda em Comunicação (UFF). Mediação de João Luiz Vieira, professor doutor do Depto. de Cinema e Vídeo da UFF.
12/03, 16h As abandonadas (Las abandonadas, 1944). Com Dolores del Río, Pedro Armendáriz, Victor Junco. 101’.
A jovem Margarita é enganada e abandonada por seu marido, obrigada a ir para a cidade trabalhar num bordel para sustentar o filho. O que se sobressai é a figura da mãe devotada e dotada de beleza fascinante que encanta Juan Gómez, suposto general revolucionário, que a resgata do bordel, prometendo-lhe uma vida feliz e familiar. Os infortúnios da personagem continuam: Gómez é desmascarado e acaba morto enquanto Margarita é presa como cúmplice e segue sua vida de sacrifícios em prol do filho. Embora Las abandonadas reúna elementos do gênero cabaretera, como cenários de bordel e das ruas, é, na realidade, um melodrama maternal, construindo a personagem da mãe sacrificada, sofredora e santificada. A produção foi marcada por percalços, desde o falecimento do diretor da Films Mundiales, Agustín J. Fink, até a proibição pela Censura, quando o filme estava finalizado. O incidente foi resolvido em 1945, com a mobilização da imprensa, cercando o filme de uma aura de expectativas e sucesso junto ao público.
12/03, 18h Maria Candelária (Maria Candelária, 1943). Com Dolores del Río, Pedro Armendáriz, Alberto Galán. 101’.
María Candelaria e Lorenzo Rafael, jovens indígenas de Xochimilco, desejam casar-se apesar de circunstâncias adversas. Os habitantes do povoado hostilizam María por ser filha de uma prostituta, e o casal enfrenta a avareza do comerciante Don Damián, que deseja a jovem. Quando ela adoece de malária, Lorenzo rouba remédio e um vestido na loja de Don Damián, desencadeando a tragédia para o casal de namorados. O filme foi claramente inspirado em uma produção mexicana de 1934, Janitzio, dirigida por Carlos Navarro, e na qual “El Indio” interpretou o protagonista. María Candelária é o primeiro filme de temática indigenista dirigido por Fernández, que retornaria ao tema em títulos como La perla e Maclovia. O filme deu ao México a Palma de Ouro em Cannes em 1946 além do prêmio máximo da Bienal de Veneza no ano seguinte, consagrando internacionalmente a excelência do cinema mexicano.
13/03, 16h Manchada pelo destino (Pueblerina, 1948). Com Columba Domínguez, Roberto Cañedo, Ismael Pérez. 111’.
Aurélio regressa a seu povoado depois de cumprir pena por tentar vingar o estupro de sua namorada Paloma, em mãos de Julio González. Ao chegar, se intera da morte da mãe e do exílio de Paloma e filho, fruto da violência. Ele quer casar-se com Paloma e esquecer o passado, mas o malvado Julio e seu irmão, Ramiro, não estão dispostos a deixá-los em paz. Pueblerina é considerado pela crítica o melhor filme de Emilio Fernández. Com um custo muito reduzido, foi a produção mais barata do diretor no período de ouro do cinema mexicano. A aspereza das imagens do filme é respaldada pelas contidas atuações do casal protagonista Columba Dominguez, com quem o diretor viria a casar-se mais tarde, e Roberto Cañedo, ator que só havia interpretado, até então, papéis secundários. O filme recebeu nova versão dirigida pelo próprio Fernández em 1977, México Norte, com o mesmo Cañedo no papel principal.
13/03, 18h Vítimas do pecado (Victimas del pecado, 1950). Com Ninón Sevilla, Tito Junco, Rodolfo Acosta. 85’.
A prostituta Violeta recolhe o bebê de sua amiga Rosa, abandonado numa lixeira por pressão de seu cafetão, Rodolfo. Violeta cria o menino e ambos são protegidos por Santiago, dono de um cabaré, que por ela se apaixona. A tragédia acontece quando Rodolfo mata Santiago, e Violeta, por sua vez, mata o cafetão. Víctimas del Pecado, segunda incursão de Emilio Fernández pelo universo urbano cabaretero, marca o encontro entre o diretor e a atriz cubana Ninón Sevilla, verdadeiro fenômeno da rumba, cujos filmes, de enorme sucesso, traziam números musicais de forte impacto erótico.
16/03, 16h Siempre Tuya (1950). Com Jorge Negrete, Gloria Marín, Tito Junco.
Ramón e Soledad, camponeses de Zacateca, migram para a capital, deixando para trás uma vida de miséria. Após vários problemas, Ramón triunfa como cantor de rádio e é cobiçado pela atriz texana Mirta. Soledad se decepciona diante da maneira com que Ramón se deixa influenciar pelo sucesso. O casal entra em crise quando Ramón tenta se separar de Soledad. O filme é uma crítica social e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre a terra mexicana, aqui inóspita, estéril e desértica, impulsionando o êxodo rural, tema caro aos cinemas novos do continente na década seguinte.
17/03, 16h Reportaje (1953). Com Arturo de Córdova, Roberto Cañedo, Maria Elena Marqués.
Às vésperas do ano novo, o dono de um jornal oferece dez mil pesos ao jornalista que trouxer a melhor notícia da noite. Todos, então, saem à caça de suas histórias, que desfilam pelo filme interpretadas pelos principais astros e estrelas do cinema mexicano, numa verdadeira homenagem e espécie de síntese de uma época de ouro que, de certa maneira, já se encontrava em curva descendente.
Textos: Mariana Baltar, Maurício de Bragança e João Luiz Vieira.
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