“Besouro Cordão-de-Ouro”
A saga do lendário capoeirista baianoMusical de Paulo Cesar Pinheiro
Direção de João das Neves
Direção musical de Luciana Rabello
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De sexta a domingo até 25 de abril - 20h
R$ 4 (comerciários), R$ 8 (estudantes, idosos), R$ 16.
Classificação: livre
Sesc Tijuca:
Rua Barão de Mesquita, 539 - Rio de Janeiro - RJTelefone:
(21) 3238-2100/Fax: (21) 3238-2428***
O espetáculo musical "Besouro Cordão-de-Ouro", de Paulo César Pinheiro e direção de João das Neves, retornou aos palcos cariocas dia 5 de março e segue até 25 de abril no Sesc Tijuca, com apresentações de sexta a domingo. O trabalho marca a estreia de Paulo César Pinheiro como dramaturgo. O grande poeta da MPB também compôs músicas e letras inéditas para o musical. "Besouro Cordão-de-Ouro" tem direção musical de Luciana Rabello.
O espetáculo faz homenagem a Manuel Henrique Pereira, o Besouro Cordão-de-Ouro ou Besouro-Mangangá, maior capoeirista de todos os tempos da Bahia. São muitas as suas estórias contadas através de outros mestres capoeiristas conhecidos como Canjiquinha, Bimba, Barroquinha, Caiçara, Budião, Rosa Palmeirão, Dora das Sete Portas e Pastinha.
Besouro, nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira por esse Brasil inteiro. Metido em política, impunha respeito e temor aos poderosos daquele princípio de século XX na velha Bahia. Sua vida virou lenda. Além de capoeirista, também tocava violão e compunha sambas-de-roda e chulas. Existe um samba, chamado Canto do Besouro, cujos versos de sua autoria "Quando eu morrer/Não quero choro nem vela/ quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela" fazem parte do samba conhecido de Noel Rosa, no qual nosso poeta escreveu a segunda parte. Esse refrão também foi usado por Paulo César Pinheiro em Lapinha (com Baden Powell) - sua primeira música gravada e sucesso na voz de Elis Regina - com a qual venceu um dos mais concorridos festivais de música popular, a Bienal do Samba, da TV Record, em 68, hoje um clássico da MPB.
O palco - que se transforma numa grande roda de capoeira com atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis numa transposição do jogo da capoeira, tem cenário de Ney Madeira (indicado ao Prêmio Shell de Teatro por este trabalho). Caixotes de madeira perfurados lembram um mercado, balaios espalhados pelo chão funcionam como poltronas e painéis com versos das letras das músicas do espetáculo, inspirados no poeta Gentileza, transfiguram com teatralidade o ambiente dos personagens, fazendo com que a platéia participe das cenas. Em meio a este clima, se contrapõem os figurinos envelhecidos pelas mãos de Rodrigo Cohen.
O elenco, todo composto de atores negros, foi escolhido em workshops realizados no CCBB, onde aconteceu a primeira montagem: Alan Rocha, Anna Paula Black, Cridemar Aquino, Letícia Soares, Valéria Mona, Iléa Ferraz, Raphael Sil, William de Paula, Wilson Rabelo, Marcelo Capobiango, Maurício Tizumba e Sérgio Pererê - os dois últimos vindos especialmente de Belo Horizonte para atuar no espetáculo. Maurício Tizumba e Sergio Pererê são músicos, cantores, compositores e atores. Tizumba tem quatro CDs lançados (o último, Moçambique, é de 2003) e, além de atuar e dirigir a Cia. Burlantins, fez o espetáculo Grande Otelo - Êta Moleque Bamba e, mais recentemente, a nova montagem do musical infantil de Os Saltimbancos, de Chico Buarque. Já Pererê lançou seu primeiro CD, Linha de Estrelas, e participa também do grupo Tambolelê, além de atuar no filme Besouro como o orixá Ossaim. No elenco, estão também dois capoeiristas cariocas.
Os atores contaram com dois grandes mestres na preparação corporal e coordenação de capoeira, Mestre Casquinha e Mestre Camisa, para transmitir-lhes os princípios desta arte ancestral e futura, que é a expressão da liberdade de um povo e deve ser praticada com reverência.
Além da música Lapinha, que dá o mote ao musical e ganhou oito novos versos especialmente para o espetáculo - um para cada personagem -, novas canções estão no espetáculo. São dez no total, feitas para cada toque do berimbau: Jogo de Dentro, Jogo de Fora, São Bento, Angola, Cavalaria, Benquela, Barravento, Iúna, Samango, Santa Maria e Besouro.
O espetáculo mostra, de maneira lúdica, a trajetória, filosofia, prática e música do mestre Besouro - um personagem brasileiro, tão rico e pouco explorado - e conta um pouco da história do Brasil e da nossa formação, com suas raízes culturais na música, na dança e no ritual. Besouro é um símbolo do Brasil, símbolo de coragem, qualidade, criatividade e resistência; um símbolo da cultura que forma o ser brasileiro.
- Paulo César Pinheiro teve o cuidado de humanizar a figura de Besouro, sem mitificá-lo. Então, este espetáculo é importante para o reconhecimento da cultura negra, resgatando estas figuras tidas como desordeiras e retratando-as com sua verdadeira face. Mostra mais profundamente a complexidade das relações dos descendentes de escravos e a sociedade brasileira. Este espetáculo, no fundo, resgata todas as etnias brasileiras e a forma de resistir com altivez - observa o diretor João das Neves.
Reproduzido de www.sescrio.org.br
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Veja também:
Trechos do espetáculo "Besouro Cordão-de-Ouro", gravado no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB, no Rio de Janeiro, em 2008:
http://www.youtube.com/watch?v=am2K64-ErCs – 1:00min.
http://www.youtube.com/watch?v=vXPMacJA-t8 – 2:35min.
http://www.youtube.com/watch?v=czZ6S-aJmjk – 1:28min.
http://www.youtube.com/watch?v=-uduAysHfqU – 2:52min.
http://www.youtube.com/watch?v=Zj4nDthW23w&NR=1 - 5:17min.
http://www.youtube.com/watch?v=PciFu7d1PW0 – 5:00min.
As duas músicas que aproveitam os versos “Quando eu morrer/ Não quero choro nem vela/ Quero uma fita amarela/ Gravada com o nome dela”, do samba Canto do Besouro, de Besouro Cordão-de-ouro:
Lapinha, de Paulo César Pinheiro e Baden Powell, com Elis Regina e os Originais do Samba
http://www.youtube.com/watch?v=7-KFwAaEC90Fita amarela, de Noel Rosa
http://www.youtube.com/watch?v=utUzUVEs90s***
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02/abril/2010