"Besouro Cordão de Ouro", de Paulo César Pinheiro,
até dia 18 na Casa França Brasil - Rio de Janeiro

O musical retrata a vida do lendário Mestre Besouro Cordão-de-Ouro, um dos mais lendários nomes da capoeira nacional. No palco, sua vida é contada através de música e das histórias de outros mestres capoeiristas conhecidos – como Canjiquinha, Bimba, Barroquinha, Caiçara, Budião, Rosa Palmeirão, Dora das Sete Portas e Pastinha –, e a cena se transforma em uma grande roda de capoeira, formada por um elenco totalmente composto por atores negros.

Os sambas e músicas de capoeira foram compostas por Paulo César Pinheiro. O espetáculo reestreou na Casa França Brasil e fica em cartaz até dia 18 de março; será exibido também na mostra oficial do Festival de Teatro de Curitiba de 2007.

A direção geral é de João das Neves e a direção musical é de Luciana Rabello.

Casa França Brasil
R. Visconde de Itaboraí, 78, Centro (ao lado do CCBB)
Tel: 2253 5366
Dias: quinta a domingo
Horário: 19 horas

Preço: R$ 10 e R$ 5 (estudantes e idosos). Ingressos à venda na bilheteria do CCBB (e não na Casa França Brasil).
Classificação: livre
Duração: 90 minutos

O musical será apresentado também no Paraná
Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba
Casa Vermelha – Lago da Ordem
Dias: 24 e 25 de março, às 20h30.
Ingressos: R$ 26.


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“Primeiro texto para teatro de Paulo César Pinheiro, grande poeta da nossa MPB, que também compôs músicas e letras inéditas para o musical, Besouro Cordão-de-Ouro tem direção geral de João das Neves e direção musical de Luciana Rabello. O espetáculo faz homenagem a Manuel Henrique Pereira, o Besouro Cordão-de-Ouro ou o Besouro-Mangangá, maior capoeirista de todos os tempos da Bahia. São muitas as suas estórias contadas através de outros mestres capoeiristas conhecidos como Canjiquinha, Bimba, Barroquinha, Caiçara, Budião, Rosa Palmeirão, Dora das Sete Portas e Pastinha.

Nesta reestréia, o cenário, que tanto sucesso e elogios gerou em sua temporada no CCBB em dezembro e janeiro, ganha mais espaço e será uma instalação-cenográfica aberta a visitação em horário fora do espetáculo.

O palco - que se transforma numa grande roda de capoeira com atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis numa transposição do jogo da capoeira - foi ampliado para 150 lugares e Ney Madeira, autor do cenário, transformou parte da sala principal da Casa em um teatro. Os caixotes de madeira perfurados, que cercam o palco, se mutiplicaram e, dos 300 usados na temporada anterior, o número cresceu para 1.000 unidades. Também aumentaram o número de balaios espalhados pelo chão como poltronas e os painéis com versos das letras das músicas do espetáculo, inspirados no poeta Gentileza, que transfiguram com teatralidade o ambiente dos personagens, fazendo com que a platéia participe das cenas. Em meio a este clima, se contrapõe os figurinos envelhecidos pelas mãos de Rodrigo Cohen.

O elenco, todo composto de atores negros, foi escolhido em workshops realizados no CCBB, onde aconteceu a primeira montagem (dezembro e janeiro): Anna Paula Black, Cridemar Aquino, Iléa Ferraz, Raphael Sil, William de Paula, Wilson Rabelo, Maurício Tizumba e Sérgio Pererê - os dois últimos vindos especialmente de Belo Horizonte para atuar no espetáculo. Maurício Tizumba e Sergio Pererê são músicos, cantores, compositores e atores. Tizumba tem quatro CDs lançados (o último, Moçambique, é de 2003) e, além de atuar e dirigir a Cia. Burlantins, fez o espetáculo Grande Otelo - Êta Moleque Bamba. Já Pererê acaba de lançar seu primeiro CD, Linha de Estrelas, e participa também do grupo Tambolelê.

O elenco contou com dois grandes mestres na preparação corporal e coordenação de capoeira, Mestre Casquinha e Mestre Camisa, para transmitir-lhes os princípios desta arte ancestral e futura, que é a expressão da liberdade de um povo e deve ser praticada com reverência.

Besouro, nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira por esse Brasil inteiro. Metido em política, impunha respeito e temor aos poderosos daquele princípio de século XX na velha Bahia. Sua vida virou lenda. Além de capoeirista, também tocava violão e compunha sambas-de-roda e chulas. Existe um samba, chamado Canto do Besouro, cujos versos de sua autoria "Quando eu morrer/Não quero choro nem vela/ quero uma fita amarela/ gravada com o nome dela" fazem parte desse samba conhecido de Noel Rosa, no qual nosso poeta escreveu a segunda parte. Esse refrão também foi usado por Paulo César Pinheiro em Lapinha (em parceira com Baden Powell) - sua primeira música gravada e sucesso na voz de Elis Regina - com a qual venceu um dos mais concorridos festivais de música popular, a Bienal do Samba, da TV Record, em 1968, hoje um clássico da MPB.

- “A primeira vez que ouvi falar de Besouro foi no livro Mar Morto, de Jorge Amado”, conta Paulo César Pinheiro. “Interessei-me pela figura e tudo que me caía às mãos a respeito desse mito popular da Bahia, eu guardava. Fui juntando histórias. Fui compondo sambas sobre ele. Fui maturando enredos. O tema Besouro foi se tornando repetitivo em meus sambas. As músicas eu já tinha. Com o convite para escrever o musical, só fiz uma pequena adaptação pro texto criado, e o Besouro Cordão-de-Ouro se tornou realidade”.

Além da música Lapinha, que dá o mote ao musical e ganhou oito novos versos especialmente para o espetáculo - um para cada personagem -, novas canções estão no espetáculo. São dez no total, feitas para cada toque do berimbau: Jogo de Dentro, Jogo de Fora, São Bento, Angola, Cavalaria, Benquela, Barravento, Iúna, Samango, Santa Maria e Besouro.

O espetáculo mostra, de maneira lúdica, a trajetória, filosofia, prática e música do mestre Besouro - um personagem brasileiro, tão rico e pouco explorado - e conta um pouco da história do Brasil e da nossa formação, com suas raízes culturais na música, na dança e no ritual. Besouro é um símbolo do Brasil, símbolo de coragem, qualidade, criatividade e resistência; um símbolo da cultura que forma o ser brasileiro.

- “Paulo César Pinheiro teve o cuidado de humanizar a figura de Besouro, sem mitificá-lo”, observa o diretor João das Neves. “Então, este espetáculo é importante para o reconhecimento da cultura negra, resgatando estas figuras tidas como desordeiras e retratando-as com sua verdadeira face. Mostra mais profundamente a complexidade das relações dos descendentes de escravos e a sociedade brasileira. Este espetáculo, no fundo, resgata todas as etnias brasileiras e a forma de resistir com altivez”.

Ligado ao universo da cultura negra e popular, João aprofunda: “Tenho intimidade com este universo, pois minha história sempre foi ligada à MPB, desde os shows do Grupo Opinião, os shows que dirigi de Chico, Milton, Baden e MP4, a Missa dos Quilombos - que fiz no Rio de Janeiro em 1988 -, o trabalho que desenvolvi no Acre com o Grupo Poronga e nossa encenação do Tributo a Chico Mendes, até meus recentes trabalhos com Titane em Belo Horizonte. Para esse musical, estou levantando a história de cada um dos atores - que também tem muito do universo do personagem - e trazendo-a para o espetáculo”.

Eugênia Rodrigues

Extraído de Samba & Choro:
http://www.samba-choro.com.br/noticias/arquivo/16845
http://www.samba-choro.com.br/noticias/17227

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11 /março/ 2007