O CINEMA MILITANTE DO GRUPO DZIGA VERTOV

Recentemente foram apresentados alguns filmes do Grupo Dziga Vertov no Centro Cultural Banco do Brasil. São filmes imperdíveis, pelo seu caráter militante. Fique atento(a) para novas exibições.

No final dos anos de 1960, na França, um coletivo de cineastas uniu-se a diversos intelectuais de esquerda, com o objetivo de realizar filmes experimentais e militantes. Liderados por Jean-Luc Godard e inspirados pelo espírito revolucionário do movimento estudantil de Maio de 68, o grupo reuniu cineastas como Jean-Pierre Gorin e Paul Burron, além de um dos líderes estudantis, Daniel Cohn-Bendit, e os atores Yves Montand, Jane Fonda e Gian Maria Volonté. Entre os brasileiros, Glauber Rocha também uniu-se ao movimento, atuando como ator em um dos filmes produzidos e dirigidos pelo grupo.

Yves Montand e Jane Fonda em cena do filme "Tudo vai bem", de Jean-Luc Godard e Jean-Pierre Gorin, França, 1972.

Unidos em torno das idéias de Mao Tse-Tung, o grupo se autodenominou Dziga Vertov, em homenagem ao cineasta russo Denis Arkadievitch Kaufman (1896-1954), cujo pseudônimo Dziga Vertov, em russo, quer dizer “girar a manivela de uma câmera”. Juntamente com Serguei Eisenstein, Dziga Vertov formou a Vanguarda Russa dos cineastas, à época da Revolução de Outubro.

Dziga Vertov, militante do Partido Comunista da URSS, percebendo o potencial revolucionário do cinema na edificação e na consolidação do socialismo, revolucionou o cinema, por meio da montagem. Vertov reivindicava um novo cinema feito apenas da realidade, onde a câmera seria uma extensão do olho humano, concepção que ele denominava de CINE-OLHO, na medida em que expressava a realidade concreta e objetiva.

Sua contribuição decisiva ao cinema, aliada ao seu engajamento político como militante comunista, inspiraram o Grupo Dziga Vertov a realizar uma revolução no cinema europeu, produzindo filmes que exploravam e provocavam a ruptura da narrativa do cinema, questionando o espectador e o próprio modo de fazer cinema, visando um pensar a política.

Seguindo a mesma linha de intervenção do cineasta russo, o Grupo Dziga Vertov produziu uma filmografia que buscava discutir, de forma didática, alguns princípios teóricos formulados por Mao Tse-Tung. Através de cenas do cotidiano de operários, estudantes e intelectuais, o espectador acompanha as suas manifestações políticas, culturais e ideológicas, em meio às lutas e às contradições vividas na sociedade capitalista.

Apesar de durar somente até 1974, o grupo produziu alguns clássicos. Entre a filmografia, estão filmes como Lutas na Itália; Vladimir e Rosa; Aqui e Acolá; Um filme como os Outros; Sons Britânicos; Pravda; Tudo vai bem; Carta para Jane e Vento do Leste, este, com Glauber Rocha atuando como ator.

Cena de "Lutas na Itália", do Grupo Dziga Vertov, França-Itália, 1970. Com Christina Tullio Altan, Anne Wiazemsky e Jérôme Hinstin.

Integrando som e imagem como elementos ativos na montagem cinematográfica, os filmes focalizam personagens que, a partir de diferentes contextos – a fábrica, a universidade, a rua, a família – tornam-se portadores das mais diversas manifestações políticas e ideológicas e servem para a reflexão de diversos problemas, como alienação, ideologia, luta de classes e revolução.

Entre a filmografia produzida, destaca-se Lutas na Itália, considerado o trabalho mais coerente, política e teoricamente, do Grupo Dziga Vertov. Este filme parte de um personagem, Paola, estudante universitária que trabalha para uma organização comunista. A estratégia do filme consiste em repetir determinadas cenas para mostrar o processo de conscientização da jovem que se acredita anticapitalista, mas começa, aos poucos, a perceber suas contradições em seu mundo burguês. A noção de luta é avaliada em termos políticos através da própria luta entre o som e a imagem. As idéias do filme partem das reflexões de Louis Althusser sobre Maio de 68.

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A presença de Dziga Vertov no Festival de Cinema do Rio - 2005

O homem com a câmera – “Tcheloviek S Kino/Apparatom”. De Dziga Vertov (URSS, 1929)
Retrato poético da vida urbana soviética. Vertov realiza inúmeras inovações na filmagem e na montagem desse filme, configurando-o como um marco da história do cinema. P&B 35mm, 65min.
Quarta-feira, 28/09/05 no MAM, às 18h

Três cânticos para Lênin – “Tri pesni o Lenine”. De Dziga Vertov (URSS, 1934)
O filme toma como tema três canções populares inspiradas por Lênin e mostra diversos aspectos da União Soviética, das regiões européias e asiáticas. P&B 35mm, 68 min.
Quinta-feira, 29/09/05 no MAM, às 16h10min

 

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27/setembro/2005