Fúlvio Pennacchi na Pinacoteca do Estado - São Paulo
Uma retrospectiva do pintor italiano Fúlvio Pennachi (1905-1992), radicado no Brasil desde 1929, traz cerca de 300 obras entre pinturas, desenhos, cerâmicas, gravuras e estudos à Pinacoteca do Estado.
Pennacchi veio da Itália, onde teve uma formação erudita no Reale Istituto d’Arte Passaglia (Lucca) com licenciatura em Decoração Mural, pintando afrescos e, chegando ao Brasil, incorpora à sua paleta cenas e figuras do povo brasileiro e tons tropicais. Participa do Grupo Santa Helena e persiste até o final de sua vida sempre pintando temas populares, camponeses, pescadores, festas populares, imagens religiosas.
Durante a mostra será exibido o documentário Fúlvio Pennacchi, uma Poética da Paixão, com roteiro e direção de Diógenes Moura e Guilherme Marback
Fúlvio Pennacchi – 100 Anos – na Pinacoteca do Estado – Praça da Luz, 2, São Paulo. Tel.: 3229-9844. Visitação: de terça a domingo, das 10h às 18h. Ingressos: R$ 2 e R$ 4. Aos sábados, entrada franca. Até 25 de junho.
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Um pintor em estado de graça(...) Pennacchi é acima de tudo um pintor popular, que ama as coisas simples como festas na roça, quermesses, circos, festas religiosas, a confraternização entre os homens, a vida familiar.
Fúlvio Pennacchi é um homem que desde o princípio recusou qualquer tipo de sofisticação. E esta sua atitude teve dupla conseqüência: de um lado reforçou seu desprezo pelas modas passageiras da pintura moderna com todos os seus “ismos”, fazendo com que o artista se apegasse cada vez mais à tradição dos Trezentos e do Quatrocentos da sua Itália natal. Por outro lado, a recusa à sofisticação levou Pennacchi a erigir São Francisco de Assis como seu modelo de pureza, simplicidade e de amor a tudo quanto é forma de vida. Em um quadro datada de 1936 vemos um “poveretto” de Assis, nu, recusando as “vestes burguesas”. Esse quadro é uma espécie de programa de trabalho a ser cumprido pelo artista, que sempre preferiu pintar camponeses, operários (ele mesmo trabalhou como açougueiro para sobreviver, apesar de trazer em sua bagagem um diploma da Academia Real de Pintura de Lucca, Florença), pequenos comerciantes, mascates, padeiros.
E foi graças a esta recusa à sofisticação que Pennacchi se integrou tão perfeitamente ao célebre Grupo Santa Helena. Em 1935 Pennacchi passou a freqüentar o ateliê que Rebolo – um ex-jogador profissional do Corinthians – mantinha no Palacete Santa Helena [Praça da Sé] desde 1933. Foi então que ele passou a trabalhar ao lado de Mario Zanini, Clovis Graciano, Alfredo Volpi, Manoel Martins, Alfredo Rizzotti, Aldo Bonadei, Humberto Rosa e o próprio Francisco Rebolo Gonzales. O Grupo Santa Helena era formado por pintores proletários, independentes, que se encontravam à noite para pintar modelos vivos e saíam nos fins-de-semana para pintar ao ar livre e discutir arte. Eram pintores de personalidades fortes que se recusavam a imitar Picasso ou Braque (o que era moda na época) ou seguir resignadamente os cânones da falecida pintura acadêmica. Eles queriam apenas registrar de forma simples, competente e bela, a paisagem urbana dos arredores de São Paulo, fixar alguns tipos humanos, o que acontecia muitas vezes com humor e sempre com grande ternura.
Durante seu contato com o Grupo Santa Helena, pintando ao ar livre, Fulvio Pennacchi se apaixonou pelas formas, cores e luzes tropicais, tal como já tinha acontecido anteriormente com Segall e Volpi. A partir de então, Pennacchi passou a registrar em sua tela cidadezinhas do interior paulista, vilas de pescadores, aldeias festivas, grupos coloniais onde o azul, o rosa e o amarelo se destacavam e definem um clima tipicamente brasileiro. (...)
Primavera de 1984
Antonio Zago
(extraído do texto de apresentação da Exposição Fúlvio Pennacchi,
de 1984, na Galeria de Arte André, em São Paulo, SP)
Volta da colheita, 1986
Pennacchi pintando um afresco
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18/maio/2006