UFRJ promove
Seminário e Exposição
Prestes - 20 anos sem o Cavaleiro da Esperança
Campus Praia Vermelha
Programação: 13/09 – 2ª feira
14:30h - Abertura
Conferência de Abertura “Luiz Carlos Prestes: 70 anos
de história do Brasil” – Profª. Anita Leocádia Prestes
Integrantes da mesa: Decano do CFCH,
Professor Marcelo Macedo Castro
e o Reitor da UFRJ, Professor Aloísio TeixeiraLocal: Auditório Manoel Maurício/CFCH
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16:00h - Exposição, livro, curtas e entrevistas
Abertura da Exposição “20 anos sem o Cavaleiro da
Esperança”, que permanecerá no hall do Fórum de Ciência e Cultura - FCC até 17/09):Lançamento do livro “Os comunistas brasileiros (1945-1956/58): Luiz Carlos Prestes e a política do PCB”; da Profª. Anita L. Prestes
Exibição dos “banners” e projeção de curtas e entrevistas
Local: Hall do Fórum de Ciência e Cultura
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18:00h – Show: Monarco da Portela
Local: Teatro de Arena
Campus Praia Vermelha
Programação: 14/09 – 3ª feira
10h - Mesa de Debate
“20 anos sem o Cavaleiro da Esperança” - Integrantes: José
Paulo Netto, Lincoln de Abreu Penna e José Jonas Duarte da CostaLocal: Auditório Manoel Maurício/ CFCH
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15h - Espetáculo teatral “Limites do Impossível”
da Cia Ensaio Aberto, com Tuca e Luiz Fernando LoboLocal: Auditório Manoel Maurício/CFCH
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Endereço do Campus:
Av. Pasteur, 250. Praia Vermelha, Urca. Rio de Janeiro – RJ
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A partir do dia 20 de setembro o evento será transferido para a
Cidade Universitária
Ilha do FundãoProgramação: 20/09 – 2ª feira
11h - Mesa de Debate
“O legado de Luiz Carlos Prestes para a política nacional”
Integrantes: Aloiso Teixeira, Anita L. Prestes e Sérgio Soares BragaLocal: Auditório G2 – Faculdade de Letras
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13h - Exposição, CD multimídia
Abertura da Exposição “20 anos sem o Cavaleiro da Esperança”, que permanecerá no Hall da Reitoria até o dia 24/09
Lançamento do CD multimídia
Local: Hall da Reitoria
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14h – Show: Monarco da Portela
Local: Hall da Reitoria
Cidade Universitária
Ilha do FundãoProgramação: 21/09 – 3ª feira
14h - Espetáculo teatral “Limites do Impossível”
da Cia Ensaio Aberto, com Tuca e Luiz Fernando LoboLocal: Sala João do Rio – Faculdade de Letras
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Endereços:
Prédio da Reitoria
Av. Pedro Calmon, nº 550. Ilha do Fundão. Rio de Janeiro, RJPrédio da Faculdade de Letras
Av. Brigadeiro Trompowsky, s/n. Ilha do Fundão. Rio de Janeiro, RJ* * *
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VINTE ANOS SEM O
CAVALEIRO DA ESPERANÇAAnita L. Prestes
Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, faleceu em 7 de março de 1990, aos 92 anos de idade. Desde muito jovem, Prestes revelou indignação com as injustiças sociais e a miséria de nosso povo, mostrando-se preocupado com a busca de soluções efetivas para a situação deplorável em que se encontrava a população brasileira, principalmente os trabalhadores do campo, com os quais tivera contato durante a Marcha da Coluna (1924-27), que ficaria conhecida como a Coluna Prestes. Muito antes de tornar-se comunista, Prestes já era um revolucionário. Sua adesão aos ideais comunistas e ao movimento comunista apenas veio comprovar e confirmar sua vocação revolucionária, seu compromisso definitivo com a luta pela emancipação econômica, social e política do povo brasileiro. Como revolucionário Prestes foi um patriota - um homem que dedicou toda sua vida à luta por um Brasil melhor, por um Brasil onde não mais existissem a fome, a miséria, o analfabetismo, as doenças, a terrível mortalidade infantil e as demais chagas que sabidamente continuam ainda hoje a infelicitar nosso país.
A descoberta da teoria marxista e a consequente adesão ao comunismo representaram, para Prestes, o encontro com uma perspectiva, que lhe pareceu factível, de realização dos anseios revolucionários por ele até então alimentados, principalmente durante a Marcha da Coluna. A luta à qual resolvera dedicar sua vida encontrava, dessa forma, um embasamento teórico e um instrumento para ser levada adiante - o Partido Comunista. O Cavaleiro da Esperança, uma vez convencido da justeza dos novos ideais que abraçara, tornava-se também um comunista convicto e disposto a enfrentar toda sorte de sacrifícios na luta pelos objetivos traçados.
No processo de aproximação ao PCB, Prestes rompeu de público com seus antigos companheiros - os jovens militares rebeldes conhecidos como os “tenentes” -, posicionando-se abertamente a favor do programa da “revolução agrária e antiimperialista” defendido pelos comunistas brasileiros. Seu Manifesto de Maio de 1930 consagra o início de uma nova fase na vida do Cavaleiro da Esperança. A partir daquele momento, Prestes deixava definitivamente para trás os antigos compromissos com o liberalismo dos “tenentes” e enveredava pela via da luta pelos ideais comunistas que passariam a nortear toda sua vida.
Pela primeira vez na história do Brasil, uma liderança de grande projeção nacional, a personalidade de maior destaque no movimento tenentista, - na qual apostavam suas cartas as elites oligárquicas oposicionistas, na expectativa de que o Cavaleiro da Esperança pusesse seu cabedal político a serviço dos seus objetivos, aceitando participar do poder para melhor servi-las -, recusa tal poder, rompendo com os políticos das classes dominantes para juntar-se aos explorados e oprimidos, para colocar-se do lado oposto da grande trincheira aberta pelo conflito entre as classes dominantes e as dominadas, entre exploradores e explorados. Prestes tomava o partido dos oprimidos, abandonando as hostes das elites comprometidas com os donos do poder, não vacilando jamais diante dos grandes sacrifícios que tal opção lhe acarretaria.
Tratava-se de um fato inédito, jamais visto no Brasil. Luiz Carlos Prestes, capitão do Exército, que se tornara general da Coluna Invicta, que fora reconhecido como liderança máxima das forças oposicionistas ao esquema de poder vigente no Brasil até 1930, talhado, portanto, para transformar-se no líder da “revolução” das elites oligárquicas, numa liderança política confiável dessas elites, usava seu prestígio para indicar ao povo brasileiro um outro caminho – o caminho da luta pela reforma agrária radical e pela emancipação nacional do domínio imperialista, o caminho da revolução social e da luta pelo socialismo.
Como foi sempre coerente consigo mesmo e com os ideais revolucionários a que dedicou sua vida, sem jamais se dobrar diante de interesses menores ou de caráter pessoal, Prestes despertou o ódio dos donos do poder, que se esforçariam por criar uma História Oficial deturpadora tanto de sua trajetória política quanto da história brasileira contemporânea.
Mesmo após seu falecimento, Prestes continua a incomodar os donos do poder, o que se verifica pelo fato de sua vida e suas atitudes não deixarem de serem atacadas e/ou deturpadas, com insistência aparentemente surpreendente, uma vez que se trata de uma liderança do passado, que não mais está disputando qualquer espaço político. Num país em que praticamente inexiste uma memória histórica, em que os donos do poder sempre tiveram força suficiente para impedir que essa memória histórica fosse cultivada, presenciamos um esforço sutil, mas constante, desenvolvido através de modernos e possantes meios de comunicação, de dificultar às novas gerações o conhecimento da vida e da luta de homens como Luiz Carlos Prestes, cujo passado pode servir de exemplo para os jovens de hoje.
Luiz Carlos Prestes dedicou 70 anos de sua vida à luta por um futuro de justiça social e liberdade para o povo brasileiro. O legado revolucionário de Luiz Carlos Prestes deve ser preservado e desenvolvido pelas novas gerações de brasileiros e de latino-americanos. Esta a razão por que hoje, no âmbito das comemorações do 90° aniversário da UFRJ, assinalamos a passagem de vinte anos do desaparecimento do Cavaleiro da Esperança homenageando sua memória.
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Esta página encontra-se em www.cecac.org.br8/09/2010