Apontamentos sobre a Resistência no Iraque

“Há duas resistências no Iraque. Uma verdadeira, com um projeto nacional que tem como objetivo expulsar as forças de ocupação e que ataca o exército norte-americano e seus aliados locais. E uma falsa, que foi criada para desacreditar a resistência verdadeira e que ataca mesquitas e mercados”. (declaração de um chefe da Resistência iraquiana a uma emissora de TV jordaniana)

Nos últimos meses, uma média de 3 soldados norte-americanos têm sido mortos todos os dias no Iraque. Desde o covarde massacre de Fallujah, no final de 2004, o exército norte-americano tem realizado ações semelhantes – cerco de cidades e bombardeio pesado – em outras localidades, assassinando milhares de iraquianos e obrigando outros tantos a abandonarem suas casas. Desde o começo deste ano, diariamente são realizadas, em média, 50 ações da Resistência iraquiana em todo o país, dirigidas contra as forças de ocupação e contra os colaboracionistas pró-Estados Unidos.

Por que nenhum desses aspectos da guerra no Iraque é divulgado pela “grande” imprensa internacional? Quem são os “rebeldes” e “terroristas” alardeados pela mesma “grande” imprensa? Quais os objetivos da Resistência iraquiana? Qual o papel do obscuro Al-Zarqawi no Iraque? Quem realiza os ataques com bombas contra mesquitas e mercados populares no Iraque? Existe mesmo um “governo” eleito no Iraque? A quem interessam os conflitos étnicos e religiosos que despontam no Iraque?

Em meados de 2003, três meses após a invasão do Iraque pelas tropas norte-americanas e seus lacaios da “coalizão”, Bush afirmava de forma arrogante que a guerra havia terminado. Hoje, passados dois anos, é flagrante o fiasco norte-americano no Iraque, e da tal “coalizão” não resta mais do que trapos. Os norte-americanos não conseguiram controlar o país nem saquear livremente seu petróleo, e apesar de toda a violência das tropas de ocupação contra o povo iraquiano, a Resistência cresce, dia após dia, conquistando a simpatia e o apoio de amplas camadas do povo.

Apesar do bloqueio da “grande” imprensa internacional aos crimes contra a humanidade perpetrados pelo exército norte-americano, mesmo nos Estados Unidos cresce o movimento contra a guerra no Iraque e pelo aumento nos investimentos governamentais na área social. No último final de semana (25 de setembro), cerca de 200 mil pessoas protestaram em Washington contra a guerra no Iraque e por ajuda às vítimas dos furacões no sul dos Estados Unidos. São mães e familiares de soldados mortos, ativistas de diferentes tendências, religiosos, líderes comunitários e estudantes. Houve protestos em várias outras cidades ao redor do mundo. Em Washington, numa demonstração do que significa a “democracia” norte-americana, vários manifestantes foram detidos, não apenas por protestarem contra a guerra, mas por tentarem entregar um manifesto contra a guerra no Iraque a George W. Bush na Casa Branca.

A coragem e a determinação do povo iraquiano, enfrentando praticamente sozinho o “exército mais poderoso do mundo”, e com sucesso, devem servir de estímulo e de exemplo aos povos de todos os países, nas lutas contra a exploração e a opressão imperialista.

Uma das estratégias do imperialismo no mundo e no Iraque é clara: exacerbar os conflitos religiosos e étnicos, tentando impor a divisão entre os povos e as nações, para facilitar a dominação, camuflando os verdadeiros conflitos, os verdadeiros interesses de classe em jogo, entre exploradores, os países imperialistas, e explorados, os povos e nações oprimidas.

Cabe aos revolucionários e democratas de todos os países cerrar fileiras no apoio a heróica resistência do povo iraquiano, exigindo a retirada das tropas de ocupação do Iraque e lutando pela unidade mundial dos povos na luta contra o inimigo comum, o imperialismo e a barbárie capitalista.

Com a intenção de contribuir no esclarecimento das questões envolvidas na guerra e na ocupação do Iraque e sobre a Resistência iraquiana, reproduzimos no sítio do CeCAC artigos e entrevistas sobre esse polêmico assunto:

entrevista de Mohammed Hassan, Resistência no Iraque: verdades e mentiras

Marines em estado de pânico, sobre as novas estratégias da Resistência iraquiana

"O importante não é o número de combatentes, mas o número de civis que os apóiam", entrevista com a Resistência iraquiana

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28/setembro/2005