12 de fevereiro de 2008: centenário do nascimento de Olga Benário Prestes

Alemã, revolucionária, praticou o internacionalismo proletário lutando pelo socialismo e o comunismo. Integrante destacada da Juventude Comunista da Alemanha, Olga dirigiu o famoso resgate de Otto Braun – dirigente comunista alemão – da prisão de Moabit, em 1928. Perseguida na Alemanha e asilada na União Soviética, Olga integrou as fileiras da União da Juventude Comunista Mundial e da Internacional Comunista, sendo designada, em 1934, para acompanhar o líder comunista Luiz Carlos Prestes em sua volta para o Brasil, para colaborar na preparação da revolução brasileira que, naquele momento, resultou nos Levantes antifascistas de novembro de 1935. Foi presa no Rio de Janeiro em março de 1936, junto com seu companheiro, Luiz Carlos Prestes. Olga, em gravidez avançada, foi deportada para a Alemanha nazista no final de 1936. Em 1937 nascia Anita Leocadia na prisão da Gestapo de Barnemstrasse, em Berlim. Uma campanha internacional pela libertação de Prestes e de todos os presos políticos no Brasil conquista a libertação de Anita, mas Olga é enviada ao campo de concentração de Ravensbrück e assassinada em abril de 1942.

Olga viveu um período histórico em que foi levada à frente a proposta revolucionária internacionalista dos comunistas de construção de uma nova sociedade, livre da exploração de uma classe por outra. Um período marcado pela atuação combativa dos comunistas que abalou o mundo burguês, capitalista. E em que, pela primeira vez na história, o proletariado dirigido pelo Partico Comunista, por uma teoria científica - o marxismo-leninismo - conquistou o poder político na União Soviética, garantindo grandes conquistas para a classe operária com repercussão na luta de classes em todo o mundo, por várias décadas.

A atuação revolucionária dos comunistas, unindo amplos setores de classe, abriu um período de avanço e crescimento da luta proletária, popular, democrática em todo o mundo, resistindo à reação, à barbárie nazista. Essa luta de resistência, impulsionada pelos comunistas, foi fundamental para a derrota do nazi-fascismo, em maio de 1945, quando o exército vermelho soviético toma o Reichstag, o parlamento alemão, em Berlim.

Assassinada da forma vil inventada pelos nazistas – na câmara de gás - Olga, até os últimos dias, conforme relato de companheiras de prisão, manteve uma postura de coragem, de camaradagem, de resistência ao nazismo, de militante comunista internacionalista, inserida, de corpo e alma, na luta que derrotou seus carrascos.

Em sua última carta a Prestes e Anita, Olga escreveu: "De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim".

Anita Leocadia Prestes expressa desta forma seus sentimentos em relação aos pais, Olga e Prestes: "Tive o privilégio de ser filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário Prestes, duas pessoas extraordinárias, que deram suas vidas por uma causa nobre. Dois combatentes revolucionários que se dedicaram inteiramente à luta por justiça social, por liberdade, pelo socialismo e por um futuro melhor para a humanidade".

E "(...) minha mãe, nas poucas cartas que conseguiu mandar do cativeiro, expressava o desejo de que eu fosse uma criança feliz e alegre, orgulhosa de meus pais se terem empenhado na luta por um mundo melhor, sem queixas nem arrependimentos. Seu sacrifício não era maior do que o de milhões de outros seres humanos que, naquele momento, enfrentavam os horrores da noite fascista que se abatera sobre a nossa civilização.

Havia, contudo, uma diferença importante. Meus pais, distintamente de milhões de inocentes que sofriam e morriam sem conhecer as causas de tamanha desgraça, tinham consciência do fenômeno fascista e do seu perigo para a humanidade. Por isso, haviam lutado contra ele com todas as suas energias. Derrotados, arcavam com as conseqüências de seu gesto. Mantinham-se, porém, confiantes de que o fascismo e sua variante alemã – o nazismo – seriam vencidos, como de fato se verificou, com a derrota dos países do eixo, no final da segunda guerra mundial.

Sua confiança decorria da profunda convicção científica que ambos haviam adquirido ao estudar o marxismo e ao travar conhecimento com a experiência pioneira de construção de uma sociedade socialista na União Soviética. A teoria marxista do socialismo científico lhes permitia compreender que o fascismo não podia ser explicado pela loucura de um homem ou pelas tradições autoritárias ou militaristas de algumas sociedades. O fenômeno fascista expressava basicamente a crise que o sistema capitalista atravessava nos anos 30, representava a resposta do grande capital ao avanço do movimento operário em países como a Itália e a Alemanha." (Leia depoimento de Anita Leocadia Prestes)

Olga Benario Prestes é referência de militante comunista que dedicou sua vida à revolução, à construção do socialismo, e à luta contra o fascismo. Sua dedicação e seu exemplo de vida e de luta – assim como de outros revolucionários – constituem valorosas contribuições na atual conjuntura de ofensiva mundial do imperialismo contra a classe operária e demais classes dominadas, tempos de barbárie capitalista e agudização da luta de classes, de fascistização. São exemplos como o de Olga que estimulam as lutas contra o imperialismo, pela libertação dos povos, a construção do socialismo rumo à sociedade sem classes, o comunismo.

Nos cem anos do nascimento desta grande militante comunista, o CeCAC expressa sua admiração e rende sua homenagem.

Olga Benario Prestes, presente!

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Em 12 e 14 de fevereiro deste ano, em Berlim, foram realizados eventos comemorativos do centenário do nascimento de Olga Benario Prestes, promovidos pela Galeria Olga Benario e pela Associação dos Perseguidos pelo Regime Nazista/Associação dos Antifascistas (VVN/VDA).

A professora Anita Leocadia Prestes, filha de Olga e Luiz Carlos Prestes, especialmente convidada, participou desses eventos.

Leia sobre as homenagens em
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,3122666,00.html

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Assista também Olga Benario – uma vida pela revolução, filme-documentário de Galip Iyitanir, lançado em 2004, com imagens da época.

Leia entrevista com o diretor em
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1420395_page_2,00.html

Confira na página da Companhia Ensaio Aberto o espetáculo Olga, um breve futuro

Esta página encontra-se em www.cecac.org.br

14/fevereiro/2008