Um ano sem Henrique Miranda

Prestamos aqui uma homenagem ao professor e jornalista Henrique Miranda, falecido há um ano, em 6 de abril de 2005. Aguerrido ativista que até em seus últimos dias se destacava por sua força, coragem, solidariedade e empenho na defesa das causas democráticas, populares, nacionais e pelo socialismo. Com ele mantivemos laços de companheirismo e amizade. A solidariedade do professor Henrique Miranda ao CeCAC foi decisiva em momento especial por que passava nossa entidade. Foi com seu apoio, como diretor da ABI, que realizamos durante cerca de um ano nossas reuniões e atividades semanais naquela entidade.

Nascido em 1914, ainda jovem, participou em 1935 da Aliança Nacional Libertadora, frente de forças populares e democráticas que lutavam contra o fascismo, o imperialismo e pela reforma agrária.

Ex-oficial da Marinha, foi afastado da corporação por motivo de suas convicções políticas quando cursava a Escola Naval. Participou ativamente da campanha pelo “Petróleo é nosso”, como Secretário Geral do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional. Foi vereador, apoiado pelo PCB (que à época atuava na clandestinidade, pois seu registro havia sido cassado, em 1947), no Distrito Federal (então Rio de Janeiro) no início da década de 1950.

Atuou por cerca de 40 anos como professor e desde o início de sua carreira foi um sindicalizado atuante. Incansável lutador no Sindicato dos Professores, na solidariedade internacional, visitou no início da década de 60, vários países socialistas entre os quais Cuba, União Soviética, República Popular Socialista da China, países africanos, como a Guiné Bissau. Já na década de 80, visitou a Coréia do Norte e foi recebido pelo presidente Kim Il Sung, tendo atuado em entidade brasileira de Amizade com o país, com vistas à reunificação.

Nos primeiros dias do golpe militar de 1964, teve seus direitos políticos cassados por dez anos pelo Ato Institucional nº 1. Durante a ditadura, foi preso por diversas vezes e incluído no “Processo dos Intelectuais”, com Dias Gomes e Ferreira Gullar, entre outros.

Foi editor da revista “Amazônia Brasileira em Foco”, desde 1969 e liderança na Campanha Nacional de Defesa e pelo Desenvolvimento da Amazônia.

“Participou ativamente das lutas pelo fim do Regime Militar. Esteve na campanha pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, Pela Constituinte Soberana e como Diretor da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), juntamente como seu presidente, Barbosa Lima Sobrinho, ajudou a coordenar a campanha pelas 'Diretas Já' e 'Fora Collor'.

Participou da luta contra a 'privatização indiscriminada' de nossas empresas estatais tendo comparecido aos atos de resistência a elas na Bolsa de Valores em defesa da CSN, setor elétrico, Vale do Rio Doce etc...”

Henrique Miranda marcou com sua vigorosa e ativa participação diversas diretorias da Associação Brasileira de Imprensa, num período de mais de 20 anos de dedicação à entidade, em suas lutas e campanhas.

Era presença calorosa e companheira nas mais diversas atividades e manifestações das lutas populares e nacionais. Tinha uma grande capacidade de liderança, não se impunha, ouvia muito, muito, os companheiros. E até hoje sua ausência é sentida nos atos políticos de caráter combativo e progressista no Rio de Janeiro.

Henrique Miranda permanecerá presente em nossos corações inspirando nossas lutas.

Companheiro Henrique Miranda, presente!

Fontes principais: dados fornecidos pelo seu filho Carlos Henrique Tibiriçá Miranda (Caíque) e por sua companheira Irene Garrido Filha.

Esta página encontra-se em www.cecac.org.br

05/abril/2006