Imigrantes trazem de volta o 1º de Maio aos EUA!

Daniel Vila

A onda massiva de demonstrações espontâneas e paralisações de trabalho que sacudiram os Estados Unidos recentemente, organizados por trabalhadores imigrantes, foram as maiores ações dos trabalhadores no país desde os anos 30. Naquele período, milhões de trabalhadores participaram em marchas, greves e ocuparam fábricas para organizar sindicatos e apoiar programas como os da Seguridade Social e do seguro-desemprego.

Embora alguns considerem a luta de trabalhadores imigrantes como o resgate do movimento por direitos civis, na verdade estes eventos são um aprofundamento da luta de classes nos EUA.

Por que a Paralisação do Trabalho?

O objetivo da Grande Paralisação do Trabalho do 1º de Maio é refutar a proposta de lei HR 4437, que tenta criminalizar todos os imigrantes sem visto e aqueles que os ajudam. Nós também nos opomos ao projeto de lei Kennedy-McCain que propõe a militarização da fronteira e a conversão de bases militares em campos de detenção para imigrantes e sua proposta para um programa “guest worker” [trabalhador convidado]. Isto tornaria os imigrantes serviçais de seus chefes, pois poderiam ser despedidos e deportados ao mesmo tempo. Isto forçaria os imigrantes a sofrer humilhações ainda maiores, além de maior exploração. Nossa demanda é: Direito de cidadania a todos, agora!

Solidariedade

O chamado para um dia sem trabalhar, comprar, vender ou ir à escola começou na Califórnia. Mas foi apoiado por milhares de organizações de imigrantes por todo o país. Em Nova Iorque, o May First Coalition (Coalizão Primeiro de Maio) foi formada em Teamsters Local 808, com a participação de grupos latino-americanos, sul-asiáticos, asiáticos, africanos, haitianos e outros, além de sindicatos e organizações comunitárias. Esta coalizão reconhece que nem todos os trabalhadores podem deixar de trabalhar no 1º de Maio, mas que devemos participar do maior número possível de ações.

Quem se opõe à paralisação?

Alguns grupos se opuseram ao chamado para não trabalhar, comprar, vender ou ir à escola. Esta oposição vem de grupos mais bem favorecidos e em posições mais confortáveis dentre as organizações de imigrantes e alguns burocratas sindicais. Estes setores têm medo de que os imigrantes se unam em um movimento realmente poderoso que não mais necessite destes poderosos burocratas sindicais e ricos empresários. Os representantes deste setor conservador dentre os sindicatos não representam a massa de sindicalizados e estão temerosos do chamado por uma assembléia. No entanto, é o dever de todos os trabalhadores nos sindicatos como o 32BJ e o 1199 exigir a democracia sindical e que a massa seja consultada. Os sindicatos pertencem àqueles que pagam suas contribuições e não àqueles que ganham enormes salários para controlá-los em benefício dos donos das empresas.

Os imigrantes estão se politizando?

Imigrantes desejam trabalhar e levar uma vida plena. Mas as leis anti-imigrantes e os funcionários racistas do governo levaram milhões de imigrantes à mobilização. No processo de organização de marchas e proposição de soluções, os trabalhadores imigrantes estão descobrindo a real natureza desta sociedade e quem são seus aliados e quem são os oportunistas. Inevitavelmente, milhares de pessoas estão se politizando.

Javier Rodriguez, um jornalista mexicano em Los Angeles e um dos organizadores da paralisação do 1º de Maio, disse que “estas leis são feitas para escravizar os imigrantes que vivem neste país e prendê-los, e as suas famílias, ao passado, a uma situação de cidadãos de segunda classe (in the back of the bus)... Com pesquisas que mostram a rejeição do presidente e sua guerra fabricada contra o Iraque, os Republicanos estão buscando refúgio em sua base mais conservadora, investindo contra a imigração ilegal”.

Como Javier afirma, não se pode separar a guerra, a política e o racismo da luta dos trabalhadores imigrantes. Este país é governado para uma elite empresarial e a política deve ser transformada para alcançar uma justiça verdadeira. Nós devemos nos juntar completamente à luta pela mudança total e forjar a maior unidade com os trabalhadores americanos, com a comunidade afro-americana, sindicatos e grupos comunitários, para formar a maior frente possível para atingir essas metas.


Uma subsidiária da empresa Halliburton ganhou recentemente um contrato de U$385 milhões para construir centros de detenção para imigrantes. De acordo com o sítio oficial da Halliburton, “o contrato, que já foi efetivado, prevê o estabelecimento de um aparato de detenção temporária e a ampliação das atuais instalações do Programa de Operações de Detenção e Remoção ICE [Immigration and Customs Enforcement] no caso de um influxo repentino de imigrantes para os EUA, ou para apoiar o rápido desenvolvimento de novos programas.”

Traduzido por P. L. M.

Publicado em Northstar Compass, maio-junho de 2006.

Esta tradução encontra-se em www.cecac.org.br

27/junho/2006