Iraque 2003-2008:
Cinco anos de ocupação, cinco anos de barbárie imperialistaEm 20 de março de 2003 o Iraque foi invadido por uma ‘coalizão’ a serviço do imperialismo e chefiada pelos Estados Unidos e pela Inglaterra, juntamente com outros contingentes menores de países lacaios. Ainda que em maio daquele mesmo ano Bush Jr. tenha afirmado que a “missão estava cumprida”, nunca houve tantos soldados norte-americanos no Iraque como agora, e os repetidos escândalos de violações bárbaras dos direitos humanos, a corrupção desenfreada, o saqueio das riquezas iraquianas – petrolíferas e culturais – e o estímulo aos conflitos internos fratricidas são a marca da ocupação imperialista.
Os dados que divulgamos abaixo mostram a escalada da miséria, da barbárie imposta pelo imperialismo ao povo do Iraque, e foram reproduzidos da Campaña Estatal contra la Ocupación y por la Soberanía de Iraq – CEOSI – IraqSolidaridad, que reúne várias outras informações sobre o Iraque ocupado.
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Após cinco anos de ocupação imperialista – como corroboram todos os dados das Agências da ONU e de instituições independentes -, a situação cotidiana do povo iraquiano é terrível:
- 43% dos iraquianos vivem na pobreza extrema (mesmo de acordo com os parâmetros questionáveis do Banco Mundial, de menos de um dólar ao dia); entre 60% e 70% da população ativa não tem trabalho. Seis milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária, incluída a alimentícia, o dobro que em 2004. Apenas 60% dos iraquianos têm acesso às rações de comida governamentais, cuja cobertura era universal antes da invasão. Por pressões do Banco Mundial, o governo iraquiano informou que no próximo mês de junho este sistema de abastecimento será suprimido, assim como os subsídios aos combustíveis.
- a desnutrição infantil aumentou no período da ocupação: metade dos menores de cinco anos sofre de alguma de suas modalidades; o baixo peso triplicou até afetar 11% dos nascidos.
- 70% da população não têm acesso adequado à água potável e 80% carece de serviços de saneamento; o cólera se já se estende por metade das 18 províncias do país.
- 2.000 médicos iraquianos foram assassinados e metade dos 34.000 registrados em 2003 abandonaram seu país. 90% dos 180 grandes hospitais carecem de recursos essenciais. Sob o controle da corrente do clérigo xiita Moqtada as-Sáder, o Ministério da Saúde se afundou na corrupção, enquanto os hospitais se transformaram em centros clandestinos de detenção, tortura e assassinato dos esquadrões da morte.
- a combinação de desnutrição e carência ou escassez de água potável, junto com a deterioração sanitária, coloca o Iraque entre os 60 países do mundo com as taxas mais altas de mortalidade infantil, mortalidade entre menores de cinco anos e mortalidade materna.
- mais de 800.000 escolares deixaram de freqüentar a escola primária (ou 22%) e apenas metade dos que completam seus estudos primários iniciam os estudos secundários. Outros 220.000 meninos e meninas refugiados com suas famílias em países vizinhos estão fora da escola.
- pelo menos 300 professores e professoras de todas as universidades do país e de todas as disciplinas foram assassinados numa campanha sistemática e seletiva. As milícias confessionais paragovernamentais impuseram nas universidades a segregação de sexos e a vestimenta islâmica.
- o fornecimento de eletricidade atinge apenas duas horas por dia, incluindo Bagdá. Sem estatísticas centralizadas e fiáveis sobre a produção de petróleo, o Iraque tem que importar combustíveis para o transporte e para o uso doméstico enquanto boa parte do petróleo, sob controle de máfias locais, sai como contrabando do país.
- os serviços públicos desmoronaram. Já em 2006, 40% do pessoal qualificado iraquiano havia abandonado seu país.
A reconstrução do país é uma amarga fraude que a comunidade internacional aceita sem importar-se: a corrupção em todos os âmbitos e níveis (o Iraque é o terceiro país do mundo em corrupção), a multiplicação das máfias locais e a desaparição do pessoal técnico o explicam. Em agosto de 2007, o governo de Nuri al-Maliki havia gasto apenas 4,4% do orçamento oficial daquele ano. Em janeiro de 2008, a exportação de petróleo iraquiano era calculada em 2,1 milhões de barris diários (contra menos de meio milhão de barris ao dia antes da invasão).
Um milhão de mortos e cinco milhões de refugiados e deslocados
Um novo informe dado a conhecer em janeiro de 2008 (realizado pela empresa britânica ORB em colaboração com uma instituição iraquiana independente, IIACSS) calcula em mais de um milhão os iraquianos mortos desde o início da ocupação, uma cifra dez vezes superior às cifras oficiais. Este novo estudo ratifica o balanço feito pelos dois estudos anteriores realizados pela Escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins de Baltimore (EUA) e publicados na revista médica The Lancet, e que os ocupantes têm buscado desqualificar. Todos os estudos coincidem em considerar a atuação das forças de ocupação como a principal causa de morte violenta no Iraque, tanto em termos absolutos como relativos. [N.T. Leia também o artigo dos professores Les Roberts e Gilbert Burnham - Não é mais possível ignorar a lista de mortos no Iraque: mais de 1.200.000 civis assassinados]
Além de um milhão de mortos, a ocupação do Iraque gerou a maior e mais rápida crise mundial de refugiados das últimas décadas – incluídos o êxodo palestino e o genocídio de Ruanda. O Iraque é o primeiro país do mundo em número de refugiados, já à frente da Colômbia. Pelo menos 2,5 milhões de iraquianos se converteram em deslocados internos – 2.000 ao dia – e outros 2,2 milhões em refugiados em países vizinhos, principalmente na Síria, drenando seus recursos limitados e gerando tensões.
As causas do êxodo da população iraquiana vão sobrepondo-se: as operações militares massivas dos ocupantes e a destruição sistemática da infra-estrutura; a deterioração das condições básicas de vida da população devido à destruição do Estado, a escalada da corrupção e das máfias locais; e a violência sectária desenvolvida, principalmente, a partir de 2005, pelos serviços de segurança, milícias e esquadrões da morte vinculados às formações que integram o governo colaboracionista iraquiano e que em sua campanha de terror têm contado com o estímulo ou – pelo menos – com a tolerância dos ocupantes.
O Crescente Vermelho Iraquiano tem denunciado que o incremento das tropas dos Estados Unidos e a reativação da guerra (sobretudo em Bagdá) ao longo de 2007 determinaram a duplicação do número de deslocados, nesse ano, num ritmo de 100.000 ao mês. O ápice dessa lógica sectária é a construção por parte das tropas estadunidenses de muros em torno dos bairros de Bagdá ainda não submetidos e – já em fevereiro de 2008 – em Mosul.
O original encontra-se em http://www.iraqsolidaridad.org/2008/docs/27_02_Declaracion.html
Traduzido para o CeCAC por M.H.
Esta página encontra-se em www.cecac.org.br
06/abril/2008