Apesar da rejeição à guerra, Bush envia mais tropas ao Iraque

Segundo pesquisa de opinião realizada pela revista Newsweek divulgada recentemente, 61% dos norte-americanos acham que os EUA não deveriam ter invadido o Iraque; 63% apóiam fixação de data para retirada das tropas; 72% desaprovam a atuação de Bush no Iraque; 72% acham que "as coisas nos EUA estão seriamente indo na direção errada". (Guerra Impopular, Folha de S. Paulo, 25.05.07, A12). Apesar desses dados, Bush conseguiu aprovar no Congresso mais verbas e o envio de mais tropas para a guerra no Iraque. O "incremento" das tropas estadunidenses no Iraque ocorre devido à resistência do povo iraquiano, que vem impondo baixas e limites às pretensões imperialistas naquele país. As medidas adotadas por Bush, contrariando a opinião pública, só podem ser explicadas se analisarmos os motivos reais para a guerra no Iraque.

Em “A crise do imperialismo expressa o agravamento de todas as suas contradições” publicado neste sítio em outubro de 2006, afirmamos que é importante levar em conta “que se acirra o conjunto de contradições que compõem a economia capitalista mundial, se agrava a luta de classes, a resistência dos povos dos países dominados às tentativas de ampliar a exploração, a contradição entre o imperialismo e os povos dos países dominados, a dominação, no mesmo processo em que se agrava a contradição interimperialista, a disputa por mercados e áreas de influência. Hoje a guerra imperialista é uma realidade. Guerra para dominar mercados, ganhar zonas de valorização de seus capitais, queimar capitais e militarizar a economia.”

E que (...) “A acumulação, a concentração e centralização de capitais tende, inevitavelmente, ao monopólio em cada setor da economia mundial. E cada monopólio, truste, cartel, estado imperialista fará tudo, absolutamente tudo, da mera fraude à guerra, para vencer a disputa em cada setor.”

Ressaltamos que (...) “Os EUA reagem para manter sua hegemonia por meio da guerra, enfrentando a tendência à queda da taxa média de lucro na economia mundial, a concorrência cada vez mais acirrada da União Européia, do Japão e do bloco de países que se organizam em seu entorno, a ameaça do enigma que representa o crescimento econômico da China, uma crescente oposição dos países dominados na Organização Mundial do Comércio (OMC) e da classe operária e dos povos do mundo todo. (...) E que “A reação da economia norte-americana à crise de 2001, através do estímulo ao consumo privado como motor da economia, se mostra cada vez mais incapaz de relançar um período de crescimento econômico. Assim, a militarização é também uma tentativa de reanimar a economia. A este processo complexo, com vários desdobramentos, que significa muito mais do que recorrer a uma “corrida armamentista”, denominamos por militarização da economia.”

E os EUA tendem, (...) “como desdobramento da militarização, principalmente controlar o petróleo e o gás natural na Ásia Central e Península Arábica – Médio Oriente – Arábia Saudita, Iraque, Irã e Kuwait etc., e não só petróleo, porém todas as fontes de energia e matérias-primas em todo o mundo;

Nesse artigo, afirmamos também “(...) que a resistência dos povos árabes contribui mais para a luta antiimperialista que toda a esquerda inglesa reunida no Partido Trabalhista Britânico de Tony Blair”.

As matérias que traduzimos e reproduzimos a seguir (Iraque: há mais tropas norte-americanas do que o divulgado e Iraque: apenas uma em cada dez mortes de soldados norte-americanos é divulgada) confirmam essas nossas afirmações, e mostram que cada vez mais o imperialismo norte-americano busca desesperadamente uma saída para sua crise, através da guerra, com seus desdobramentos: genocídio e barbárie contra os povos dos países dominados.

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Iraque: há mais tropas norte-americanas do que o divulgado
O total está entre 300.000 e 360.000, mais de duas vezes o número "oficial"

Don Monkerud

Os EUA usam um número de enganações, definições ilusórias e eufemismos, incluindo contabilizar apenas "forças de combate" e “pessoal militar”, para diminuir drasticamente as forças norte-americanas envolvidas no Iraque.

Mesmo o anúncio feito em janeiro pelo presidente Bush de um “incremento” [surge] de 21.500 soldados norte-americanos, negado pela Junta de Comando, se transformou agora em 30.000 soldados com uma “equipe de quartel” adicional de 3.000, apesar do total divulgado de militares dos EUA no Iraque somar 145.000.

O número das forças norte-americanas divulgado pelo governo, necessário para ocupar um país pouco maior que duas vezes [o estado de] Idaho, esconde a verdadeira extensão dos vastos recursos dos EUA investidos em pessoal, material e outros custos. O número real é quase impossível de ser encontrado nas informações divulgadas pelo governo, mesmo com grande esforço de interpretação.

De acordo com o site GlobalSecurity.org, uma organização de políticas públicas que fornece informação de bastidores sobre defesa e segurança doméstica, saber o que ocorre com as forças norte-americanas tornou-se “significativamente mais difícil na medida em que as forças armadas procuram melhorar a segurança operacional e enganar inimigos potenciais e a imprensa sobre a extensão das operações norte-americanas.” Segundo John Pike, diretor do GlobalSecurity.org, há um número de outras razões afetando a contagem precisa do número de forças militares envolvidas no Iraque. Grandes contingentes de soldados são ativados com tarefas não-especificadas para áreas não-especificadas; muitas pequenas unidades do exército e da guarda nacional de várias localidades estão sendo mobilizadas, os quais contam suas unidades de forma diferente; e a rotação de grupos dentro e fora do Iraque ocorre tão rapidamente que é impossível para qualquer um exceto o Pentágono calcular quantos estão lá. O Pentágono conhece estes números, mas Pike diz que eles não são divulgados.

“Nós apenas tentamos totalizar [nail down] os números quando pensamos que os norte-americanos estão a ponto de explodir alguém,” diz Pike. “O Pentágono conhece os números e nós não fizemos nada para pressionar o Pentágono. Certamente, se há uma chance de divulgar ou reter números, eles são parcimoniosos.”

Além disso, os “contractors” (mercenários) particulares quase dobram o número das forças norte-americanas no Iraque. Depois que quatro contractors foram enforcados numa ponte em Fallujah em março de 2004, a administração Bush fez de tudo para evitar que o Congresso force o Pentágono a divulgar informações sobre o número de contractors no Iraque. Finalmente, o Pentágono divulgou um total de 25.000.

Em "The Market for Force: The Consequences of Privatizing Security," Deborah D. Avant, diretora do Institute for Global and Internal Studies na Universidade George Washington, relata que os dados oficiais são difíceis de serem encontrados, mas “Esta é a maior utilização de mercenários norte-americanos numa operação militar.” Em outubro, o primeiro censo militar de mercenários totalizou 100.000, não incluídos sub-contratados, e em fevereiro de 2007 a Associated Press divulgou 120.000 mercenários (o que poderia colocar o “incremento” de Bush próximo de 50.000).

Os contractors, também chamados de mercenários, prestam serviços essenciais de apoio para manter a presença militar dos EUA no Iraque. Dez vezes o número de contractors empregados durante a Guerra do Golfo Pérsico, estes mercenários contratados agora cozinham as refeições, interrogam prisioneiros, consertam pneus, reparam veículos, e prestam serviço de guarda. Os militares realizavam essas tarefas até que o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld instituiu seu plano de “Força Total”, o qual se baseia num contingente militar norte-americano menor, com “seus componentes militares da ativa e da reserva, seus servidores civis, e seus contractors.” O senador Jim Webb, da Virgínia, chamou o plano de “alugue um exército.”

Qual é o total das forças armadas norte-americanas que estão no Iraque? O governo diz que elas são 145.000, mas John Pike estima que atualmente sejam 150.000. Outros 20.000 chegarão como parte do “incremento”, uma última tentativa de relações públicas para salvar a operação de um fracasso total.
John Pike estima que outros 30.000 estão “no teatro de operações” para dar suporte a “Operação Iraque Livre”. O exército e os marines têm outros 10.000 a 20.000 no Kwait, e um porta-aviões da força aérea nas proximidades tem 5.000. Os exercícios navais no Golfo Pérsico, que representam uma demonstração de força contra o Irã pela captura dos quinze marinheiros britânicos, incluem 10.000 militares norte-americanos, os navios de transporte Eisenhower e Stennis, e 15 navios de guerra.

Adicione os 120.000 mercenários contratados às forças envolvidas na operação no Iraque e o total chega a 300.000 a 360.000, mais de duas vezes o dado “oficial” de 145.000 soldados. E isto não leva em conta os mais de 5.000 soldados e marinheiros britânicos, reduzidos de um total de 40.000 durante a invasão inicial, ou os remanescentes da tão propagada “Coalizão”, que tem encolhido desde o começo da ocupação dos 27 países, na maioria pequenos, como Armênia, Estônia, Moldávia e Letônia. Dados manipulados e mercenários privados fornecem uma cobertura para a administração Bush escapar do julgamento público e manter humilhações, mortes e operações secretas distantes da vista do público. Uma visão mais precisa e honesta sobre a ocupação do Iraque, se fornecida pelo governo, poderia dar aos norte-americanos mais razões para fazer oposição ao desperdício de vidas e recursos nesta mal-concebida, pouco planejada, e desastrosa aventura.

O original encontra-se em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=MON20070427&articleId=5503


Iraque: apenas uma em cada dez mortes de soldados norte-americanos é divulgada

O Relatório Harring: o moedor de carne de jovens norte-americanos

Desde que ficou claro que aquilo que deveria ser uma rápida e bem sucedida campanha militar contra Saddam Hussein se transformou numa guerra de guerrilha crescente e de longa duração, o Departamento de Defesa, agindo sob ordens da Casa Branca, começou a reduzir a lista diária pública de mortos e feridos.

Os familiares dos mortos foram corretamente notificados e os corpos foram enviados de volta aos Estados Unidos para enterros privados, mas os números de mortos e feridos foram deliberadamente mantidos tão baixos quanto possível por razões políticas. Apenas para uso interno, um relatório mensal realístico e preciso foi distribuído para os envolvidos, mas não foi publicado. Quando este relatório privado foi publicado por fontes externas e enviado pela Internet, o site foi imediatamente colocado fora do ar.

Esta lista original mostrava que em meados de 2005, o número de mortos no Iraque como no Afeganistão alcançou 10.000, com 20.000 seriamente feridos. Em 2007, a lista de mortos tinha aumentado para mais de 15.000 (e crescendo diariamente), com relatos oficiais de [soldados] seriamente feridos (que necessitaram hospitalização fora dos países ocupados) em 50.508, segundo um relatório publicado no New York Times de 30 de janeiro de 2007.

Também não estão mencionadas as mais de 10.000 deserções (de março de 2003 até agora).

A conta dos açougueiros Bush-Cheney

Oficialmente 108 militares mortos no Afeganistão e no Iraque de 1 a 30 de abril de 2007, com um total oficial de 4.264 mortos e feridos até agora.

Nota: aqueles que desejarem uma cópia da lista original do Departamento de Defesa, de 2003 até meados de 2005, com fac-símiles de notificações reais, ao contrário das listas oficiais, fortemente maquiadas, podem escrever para o Sr. Harring no endereço brianharring@yahoo.com. A cópia é gratuita. Até 18 de abril de 2007, o Sr. Harring havia enviado 25.101 listas.

O original encontra-se em http://tbrnews.org/Archives/a2677.htm


O site canadense Global Research publicou recentemente um relato emocionado de um militar norte-americano em serviço no Iraque:

"Seis dias atrás, eu estava num comboio armado que transitava pelas ‘seguras’ (de acordo com [o Senador] McCain) ruas de Bagdá quando um foguete ‘não-existente’, feito aqui mesmo e não em Teerã, explodiu um caminhão que transportava quinze soldados norte-americanos. Nós tivemos que parar, não pudemos fazer meia-volta porque havia veículos atrás de nós, tentando desesperadamente fugir em todas as direções, e então eu vi o os restos estraçalhados e carbonizados de todos os quinze soldados espalhados pela rua. Terrível ter que olhar aquilo, depois do café da manhã e antes do almoço.

Não houve uma única palavra sobre isto em nossa imprensa nos EUA e as listas oficiais de mortos e feridos, publicadas na Internet não mencionaram nenhum deles. Há quinze [soldados mortos] que nunca foram relatados. Um amigo no prédio vizinho ao meu elabora os relatórios para transmissão aos Estados Unidos e diz que eles publicam os nomes de um em cada dez. Este foi um mês [abril] muito ruim, com mais de 300 mortos ‘oficialmente reconhecidos’! Isso não inclui aqueles sem rosto ou cujas pernas foram lançadas sobre um telhado qualquer, para alimentar os pássaros. Este lugar se transformou num inferno dos vivos, com franco-atiradores matando nossos homens dentro da “realmente segura” Zona Verde, lançando bombas nos “fortemente vigiados” edifícios do governo iraquiano e explodindo os legisladores fantoches no almoço, tiros de morteiro dos “insurgentes derrotados” a toda hora do dia e da noite, e por aí vai.

Esta loucura do ‘incremento’ [N.T. envio de mais tropas] de Bush não está funcionando porque nós tivemos que retirar todas as nossas tropas das províncias longínquas e elas foram substituídas por fanáticos religiosos locais que atiram em tudo o que se move. Os insurgentes praticamente destruíram as redes elétricas e Bagdá tem eletricidade umas poucas horas por dia (no melhor dos casos); o fornecimento de água sofreu “interferência” de modo que os iraquianos recebem água do rio infestada de fezes, mas nós, que estamos levando a Democracia de Bush para os ‘bárbaros infiéis’ [benighted heathens] temos nossos próprios geradores e nossa própria água, cuidadosamente filtrada, limpa das fezes e pedaços de cadáveres, e então nós podemos, com felicidade e orgulho, mostrar ao mundo o quão melhor estão os nativos, com nossa tirania livre de vícios, ao contrário da tirania de Saddam. Eles deveriam trazer Bush e Cheney aqui, arrancar suas roupas e usá-los como iscas, e então nós assistiríamos rapidamente a uma retirada, com certeza! E ouviríamos saudações entusiásticas enquanto os soldados norte-americanos estariam disputando com os nativos pedaços dos corpos do presidente e do vice, como souvenirs.”

O original encontra-se em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=20070430&articleId=5532

Matérias traduzidas para o CeCAC por M.H.

Esta página encontra-se em www.cecac.org.br

25/maio/2007