“A invasão israelense é brutal e foi premeditada”
“Grande parte do mundo acompanha com pesar e revolta o ataque insano do Exército israelense. É mais um crime contra a humanidade. Você pode imaginar 500 mil israelenses sem casa, água nem comida, vendo seu país ser destruído, e seus filhos, assassinados? Tenho certeza de que haveria uma condenação veemente do mundo todo e uma pronta intervenção das grandes potências. A invasão israelense é brutal e foi premeditada”, afirmou o escritor Milton Hatoum, autor de Relato de um Certo Oriente (Prêmio Jabuti de melhor romance em 1990) e professor de Literatura na Universidade Federal do Amazonas, em entrevista à Folha de S. Paulo, 23/07/06.O genocídio que Israel vem praticando contra palestinos e libaneses, inclusive com uso de armas químicas, que vêm sendo “testadas” em vários ataques, conta com o decidido apoio dos EUA. Cujo governo, aliás, em termos de barbárie, não têm interesse ou autoridade para condenar Israel, vide suas ações em Faluja, Haditha ou Abu Ghraib, enfim o dia-a-dia de sua invasão ao Iraque.
Depois de 345 pessoas morrerem no Líbano e 34 em Israel, depois das forças armadas israelenses atacarem cidades, destruindo edifícios, casas, pontes, plantações, atacarem o aeroporto e os meios de comunicação, e agora convocarem reservistas para invadir o território do Líbano, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice afirmou que “um cessar-fogo imediato pode ser uma falsa promessa”. E arrematou: "O risco é o de o Hezbollah voltar a atacar Israel a partir do sul do Líbano". Tamanho cinismo, talvez nem os nazistas demonstrassem.
Mais e além de quaisquer questões locais, religiosas, etc. o que está em jogo é a tentativa, por meio do terror, dos EUA e de Israel fazerem valer os seus interesses políticos e econômicos na região. Para enfrentar a crise que o sistema imperialista vem experimentando desde meados dos anos 1970, buscando obsessivamente retomar níveis mais altos de taxas de lucro, os EUA e seus aliados, como Israel, não têm pruridos em utilizar o genocídio como meio de conquistar territórios, recursos naturais, para satisfazer as oligarquias financeiras, a indústria armamentista, as grandes empresas transnacionais - interessadas também na “reconstrução” do que foi destruído, procurando ampliar sua dominação política e econômica na região. Aos povos que resistam ao seu poderio bélico e ideológico, em particular aos que consideram mais vulneráveis, lançam seus exércitos e munições. Por outro lado, utilizam nos meios de comunicação a mentira e o cinismo para tentar “justificar” e encobrir os crimes de lesa-humanidade que vêm praticando, o que a cada dia torna-se um malabarismo mais vulnerável, e já foi identificado mesmo por analistas estadunidenses.
“Pelo menos na grande imprensa televisiva dos EUA, os lados já estão tomados. "Quando se trata de Israel, não há cobertura imparcial possível aqui", decreta Steve Rendall, da organização liberal Fairness & Accuracy in Reporting...
.. O problema não é de hoje. Já em 2002, o Fair escrevia: "Na mídia dos EUA, palestinos "atacam" e Israel "responde'". (Entre americanos, "guerra de palavras" é ganha por Israel, FSP, 23/07/06)Porém, o que um diuturno e repetitivo jogo de palavras nos jornais, televisões, rádios, procura esconder, fotos e imagens dramáticas - que expressam mais do que mil palavras – denunciam: a barbárie dos ataques israelenses.
Toda essa ofensiva do imperialismo e de seus aliados é brutal e ao mesmo tempo desesperada, por estar mais claro que a resistência se amplia. O próprio Hizbollah ganha mais força na região: “...grupo pode sair fortalecido pela corrente gerada contra a ação violenta de Israel” (Hizbollah ainda controla bairro destruído em Beirute, FSP, 23/07/06).
Camadas mais amplas da população em todo o mundo estão mais cientes e conscientes dos interesses e da exploração imperialista. A onda de resistência ao seu domínio se amplia, onda que se manifesta seja no Oriente, na Europa ou nas Américas.
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23/julho/2006