Mário Alves


Há 36 anos, na madrugada do dia 17 de janeiro de 1970, foi barbaramente assassinado o dirigente comunista Mário Alves. À época, era secretário-geral do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) e, mesmo ao sofrer as mais vis e brutais torturas, não prestou nenhuma informação a seus algozes.

Mário Alves destacou-se por ser um dirigente comunista estudioso do marxismo-leninismo, um revolucionário combativo, totalmente dedicado à luta popular, desde a juventude. Ingressou no PCB, aos 15 anos na Bahia, em plena ditadura do Estado Novo. Nesse primeiro período participou das lutas estudantis e das lutas populares contra o nazifascismo, exigindo a participação do Brasil na guerra ao lado das forças aliadas.

Após a guerra, por sua destacada participação nas frentes de batalha, particularmente com a derrota que o povo e o Exército Vermelho da URSS infligiram ao famigerado exército de Hitler (com a perda de 25 milhões de soviéticos), os comunistas se fortalecem no Brasil e no mundo. O PCB é legalizado e Mário Alves foi eleito para o comitê estadual do Partido.

Pouco depois, o governo Dutra impôs uma dura repressão aos comunistas e o PCB foi colocado na ilegalidade. Mário Alves seguiu para o Rio de Janeiro, já casado com sua companheira Dilma Borges, mas, ainda perseguido, transferiu-se para São Paulo, onde trabalhou na revista “Problemas”.

Viajou para a União Soviética em 1953 a fim de participar de um curso de marxismo-leninismo. Em 1954 foi eleito membro do comitê central do PCB. Em 1958, viajou para a República Popular da China e assumiu a direção do jornal “Novos Rumos” do PCB. Mário Alves dominava vários idiomas e durante o período de clandestinidade trabalhou como tradutor para garantir seu sustento.

No início da década de 1960, atuou na secretaria nacional de educação do PCB e começou a polemizar com as posições do Partido. Defendia que a aliança privilegiada que os operários deviam consolidar seria com os camponeses e não com a burguesia “nacional”, como era defendida pelo PCB.

A partir do golpe militar de 1964, Mário Alves passou a viver novamente na clandestinidade, sendo preso em julho. Foi libertado em 1965, por um habeas corpus.

A luta política dentro do partido intensifica-se. A maioria defendia a continuidade da política em relação à burguesia “nacional” e a via pacífica para derrotar a ditadura. Um conjunto de dirigentes e militantes, entre eles Mário Alves e Marighella, rompem com essa visão e defendem a resistência armada ao regime.

Mário Alves, defendendo a importância de organizar um novo partido de vanguarda, junto com outros companheiros, como Apolônio de Carvalho e Jacob Gorender, fundou o PCBR em 1968. Defendiam uma maior inserção no movimento de massas e a luta armada contra a ditadura.

No dia 16 de janeiro de 1970, aos 47 anos, Mário Alves desaparece. Foi preso pelo DOI-CODI e levado ao quartel da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, Tijuca, um dos centros de tortura da ditadura. Foi “espancado barbaramente de noite, empalado com um cassetete dentado, o corpo todo esfolado por escova de arame, por se recusar a prestar informações exigidas pelos torturadores do 1° Exército e do DOPS”, como denunciou sua companheira Dilma. Alguns presos políticos que ali estavam, entre eles Antonio Carlos Carvalho (Tonico ), que dá o nome ao CeCAC, René Carvalho e Raimundo Teixeira Mendes, presenciaram sua agonia e denunciaram, ainda na ditadura, as condições de sua morte, desmentindo versões oficiais que negavam o ocorrido.

Sua companheira e sua filha Lúcia conseguiram, em 1987, que a União reconhecesse a responsabilidade civil por sua prisão, morte e danos morais. Foi, assim, o primeiro caso em que a União reconheceu sua responsabilidade por um desaparecimento político.

Mário Alves continuará em nossos corações e mentes como uma das referências, um dos heróis da luta do povo brasileiro por sua emancipação, pela liberdade e pelo socialismo.

Mário Alves, presente!

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26/janeiro/2006