Reproduzimos nota de repúdio ao massacre de dezenas de haitianos pelas tropas de ocupação da ONU em 22 de dezembro de 2006, que é também uma denúncia contra o vergonhoso papel das tropas do Exército Brasileiro no Haiti, a serviço dos interesses do imperialismo norte-americano.
Quando um país dominado tem seu presidente derrubado por um golpe de Estado, é invadido e ocupado por tropas estrangeiras que apóiam um governo fantoche e criminoso, a isso o imperialismo e seus serviçais chamam ‘missão de estabilização’.
Há mais de 2 anos o Haiti, a primeira nação das Américas livre da escravidão, foi invadido e ocupado por tropas norte-americanas e francesas, que depuseram e seqüestraram o então presidente Aristide. O imperialismo norte-americano, sofrendo reveses no Iraque e no Afeganistão, arregimentou o apoio dos governos brasileiro, uruguaio, argentino e chileno, entre outros, e ‘terceirizou’ a ocupação do Haiti, entregando o comando das tropas da ONU ao Brasil. Nesses dois anos, as mudanças na vida dos haitianos foram para pior: multiplicaram-se os assassinatos, roubos e seqüestros; a miséria, a fome e a desnutrição aumentaram. São centenas de presos políticos, e as denúncias de repressão dos soldados da ONU e da polícia haitiana contra o povo – particularmente nos bairros mais pobres – não cessam.
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Nota de repúdio ao massacre perpetrado por militares brasileiros no Haiti
Henri Boisrolin [*]
Na madrugada de 22 de dezembro de 2006 (sexta-feira), mais de 400 militares brasileiros acompanhados de policiais haitianos atacaram um bairro em Cité Soleil – chamado Bois Neut – provocando, segundo números oficiais, 9 mortes. Mas, testemunhas da barbárie afirmaram que o número de pessoas assassinadas e feridas foi superior a 20 e 80 respectivamente. Entre elas apareceram cadáveres de várias crianças. Esse ataque, que durou várias horas, foi realizado com blindados, fuzis automáticos de grande poder, helicópteros, etc., causando uma verdadeira tragédia entre os 300.000 habitantes de Cité Soleil, que vivem em casebres de papelão, chapas, etc. Foi um ataque contra os mais pobres dos pobres haitianos, sob o falso argumento ou pretexto de eliminar um grupo de bandidos que vivem de seqüestro. Fenômeno que, curiosamente, ao longo dos 2 anos de permanência da MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti) dirigida militarmente pelo Brasil, se transformou, sobretudo nos últimos meses do ano de 2006, na indústria mais próspera no Haiti. Toda uma realidade que demonstra claramente a inoperância desta força de ocupação.
Cabe recordar que desde sua imposição, em junho de 2004, os pobres do Haiti manifestaram sua rejeição à presença da MINUSTAH. E nos últimos meses do ano que acaba de terminar com este novo banho de sangue entre os condenados de nossa terra, esta rejeição se transformou em uma constante na vida política do país. A única resposta até agora oferecida por estes serviçais do imperialismo norte-americano tem sido: CHUMBO E MAIS CHUMBO. Assim pensam que podem continuar ocupando nosso país imitando os exemplos de seus chefes no Iraque. Assim pensam projetar-se como um país emergente ou uma potência emergente capaz de manipular uma crise utilizando os mesmos mecanismos empregados pelo maior terrorista do mundo, George W. Bush. Com esses méritos ou certificados de mercenários, os dirigentes brasileiros aspiram obter um posto permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Sem dúvida alguma, a suposta imagem de progressista que os partidários do presidente Lula lhe atribuem, se desfaz em mil pedaços ante tais feitos, próprios de um fascista. Neste sentido, cabe aos verdadeiros progressistas brasileiros pronunciar-se a respeito, acompanhando o povo haitiano em sua exigência de RETIRADA IMEDIATA DA MINUSTAH. Pois, não pode se gabar de progressista assassinando pobres e crianças de outro país, violando a soberania de outro país e ignorando o direito de autodeterminação de outro povo, para satisfazer interesses mesquinhos e obedecer ao imperialismo norte-americano.
Trata-se de uma resposta urgente, já que evitará mais mortes e, ao mesmo tempo, demonstrará com ações e não somente com lindos discursos que a solidariedade não pode ser seletiva. Uma solidariedade que os primeiros dirigentes de nosso país, como Dessalines e Pétion, ofereceram generosamente a Miranda, Bolívar e tantos outros. Convidamos os dirigentes brasileiros a revisar mais a fundo a verdadeira história de nossa região, pois ali, sem dúvida alguma, encontrarão dados surpreendentes, capazes de ajudá-los a professar um mínimo de respeito pelo povo haitiano. Em nome deste internacionalismo revolucionário – praticamente inimaginável para a época – desprendido pelos haitianos logo depois de nossa Independência, exigimos o fim das matanças e a retirada imediata da MINUSTAH.
ABAIXO A OCUPAÇÃO!!!
FORA MINUSTAH DO HAITI!!!
VIVA A LUTA DO POVO HAITIANO!!![*] Coordenador do Comitê Democrático Haitiano na Argentina [voltar]
O original encontra-se em DIARIOS DE URGENCIA - RESUMEN LATINOAMERICANO nº 869
para subscrever seu e-mail acesse: http://listas.nodo50.org/cgi-bin/mailman/listinfo/diariodeurgenciaTraduzido para o CeCAC por R.V.A.
Leia mais sobre o massacre no Haiti:
Carros blindados atacan a hombres, mujeres y niños en Cité Soleil, por Haiti Action Committee
Carros blindados atacam homens, mulheres e crianças em Cité Soleil, por Adital
Haiti: natal de sangue em verde e amarelo, por Mário MaestriEste artigo encontra-se em www.cecac.org.br
21/janeiro/2007