Comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela

(TeleSUR _ 17/01/08 - 14:23 CCS)

Neste novo comunicado, o Governo venezuelano responde ao comunicado lido no dia anterior pelo chanceler colombiano, Fernando Araújo, em que ele exige “respeito” ao seu país.

República Bolivariana da Venezuela
Ministério do Poder Popular para Relações Exteriores

O Governo colombiano não está comprometido com a paz, e sim obcecado em derrotar militarmente as forças insurgentes, obcecado com a guerra.

Ao invés de colocar todo o seu empenho em construir uma solução política viável e duradoura para o conflito armado, o Governo colombiano busca qualquer pretexto para justificar sua lógica militarista.

O presidente Uribe não está comprometido com o intercâmbio humanitário, e sim cegamente obstinado em demonstrar seus argumentos de guerra.

Mais preocupado em salvar as aparências do que salvar as vidas de seus concidadãos, o Governo colombiano ataca o presidente Chávez, porque é o único que teve êxito na liberação dos reféns, e cultivou o único caminho para a paz e a unidade que necessita nosso povo irmão: o caminho do diálogo e o do entendimento.

O Governo colombiano não está comprometido com a liberação dos reféns, pois gasta mais o seu tempo em mendigar a indulgência vantajosa do governo imperial dos Estados Unidos da América.

Ao invés de criar as condições para que centenas de famílias voltem a se reunir, o Governo colombiano chegou ao extremo de obstruir e sabotar as missões humanitárias de resgate estimuladas pela comunidade internacional, pondo em risco a vida de pessoas inocentes.

O governo colombiano não está comprometido com a soberania da Colômbia, e sim exasperado em desviar a atenção de sua opinião pública da massiva presença de tropas estadunidenses em seu território.

Enquanto o presidente Uribe se consome em salvar o processo de guerra no qual mergulhou seu próprio país, a história nos ensina que a paz está ao alcance da mão, quando existe uma vontade política independente e soberana.

O comunicado da Chancelaria colombiana está carregado de cinismo e hipocrisia. Seus vaivens vacilantes e sua confusa retórica são produto da contradição que gera o discurso público da concórdia com a busca permanente da escalada bélica.

O povo da Colômbia, seus setores decentes e a opinião pública mundial sabem que a ação humanitária conduzida pelo presidente Hugo Chávez conseguiu, em pouco tempo, reverter o sentimento generalizado de resignação e desconsolo no qual estava mergulhada a sociedade colombiana.

O Governo da Colômbia e suas elites não perdem oportunidade para maltratar o povo colombiano, e frustrar tentativas de paz que se interponham em seu caminho.

O tom ofensivo e exasperado do comunicado colombiano é expressão da debilidade de um governo rodeado de escândalos. Dezenas de personagens do mais alto escalão vinculados ao presidente Uribe hoje se encontram atrás das grades por delitos de terrorismo, paramilitarismo e narcotráfico.

Encontrar a saída para o conflito colombiano é uma responsabilidade que une a todos os homens e mulheres que não se resignam a serem espectadores passivos do sofrimento e dor do povo irmão.

O povo venezuelano foi, durante décadas, vítima do conflito colombiano. Numa expressão de torpeza, a Chancelaria colombiana reconhece os efeitos negativos do conflito armado sobre a população civil venezuelana, o que justifica qualquer medida que, no marco do direito internacional, o Governo bolivariano possa realizar para regularizar essa situação.

O presidente Hugo Chávez e a Revolução Bolivariana deram testemunhos concretos de amor e solidariedade com nossos irmãos colombianos. Pela primeira vez na história, foi regularizada a vida legal de milhares de cidadãos de origem colombiana que foram perseguidos, maltratados e humilhados na Venezuela ante a indiferença absoluta dos governos oligárquicos da Colômbia. Hoje em dia, vivem sob o amparo do Governo bolivariano, livres, em família e em paz.

O Governo da República Bolivariana da Venezuela ratifica sua proposta, sustentada no direito internacional humanitário, de se avançar em uma fórmula que regularize e humanize o conflito armado colombiano, que completará 60 anos em 9 de abril, dia em que recordaremos o grande líder da justiça, da igualdade e da paz, Jorge Eliécer Gaitán.

O Governo do presidente Chávez ratifica ao povo da Colômbia sua vontade irredutível de seguir contribuindo na busca de novas liberações, do acordo humanitário e da paz, sempre inspirados pelo espírito eterno do pai libertador [Bolívar] que, com sua sabedoria nos segue guiando:

“Nas guerras civis é diplomático [político] ser generoso, porque a vingança progressivamente aumenta”.

"Da paz deve esperar todos os bens e da guerra nada mais que desastres".

Caracas, 17 de janeiro de 2008

Traduzido para o CeCAC por M.V.

extraído de TeleSUR

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21/janeiro/2008