Venezuela: aprofunda-se o processo revolucionário
A luta de classes e o processo revolucionário aprofundam-se na Venezuela. O episódio da não renovação da concessão do sinal aberto ao canal de televisão RCTV expôs as contradições de classe, antagônicas, na sociedade venezuelana.
A organização e a elevação do nível de consciência da classe operária, das classes dominadas, no processo de mobilização e na defesa da Revolução Bolivariana, são decisivos para a vitória do campo revolucionário e a derrota do campo reacionário, das classes dominantes da Venezuela associadas e apoiadas pelo imperialismo. É fundamental mobilizar as massas para avançar na compreensão dos reais interesses de classe em jogo, interesses antagônicos. É uma intensa luta política e ideológica, com seus desdobramentos, na disputa pelo poder.
A declaração do secretário geral do Partido Comunista da Venezuela (PCV) e a convocação pelo presidente Hugo Chávez de uma manifestação neste sábado em Caracas, contra os golpistas e fascistas, para a qual são esperadas dois milhões de pessoas, apontam para este caminho. Transcrevemos abaixo as afirmações do secretário geral do PCV.
Além disso, a solidariedade internacional, tomando posição claramente na defesa do processo revolucionário na Venezuela, denunciando a "desmesurada" campanha de desinformação antichavista, combatendo na prática a conciliação de classe, é um importante apoio à Revolução Bolivariana e, nesse sentido, para a luta dos povos contra o imperialismo na Venezuela, na América Latina e no mundo. Transcrevemos abaixo matéria sobre manifesto de intelectuais argentinos e ingleses que expressa esse posicionamento.
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Deputado Oscar Figuera na Assembléia Nacional:
“O Poder da Revolução Bolivariana está no povo mobilizado”O secretário geral do Partido Comunista da Venezuela, deputado Oscar Figuera, enfatizou que a defesa da Revolução é feita pelo povo venezuelano nas ruas: “O Poder da Revolução Bolivariana está no povo mobilizado, em sua capacidade de mobilização e na liderança de Hugo Chávez Frías que vem desenvolvendo a revolução em nível nacional e continental”, afirmou.
O deputado manifestou que vivemos um momento especial, que o plano do imperialismo vem se desenvolvendo desde o momento do triunfo de Hugo Chávez Frias em 1998, que não foi finalizado em abril de 2002, nem em janeiro de 2003, “é um plano apoiado no tempo, porque se trata de liquidar um projeto estratégico; de liquidar o projeto da revolução continental que avança a partir da revolução bolivariana”, e acrescentou “este plano tem tido seu próprio desenvolvimento, que hoje se expressa em ganhar as consciências dos estudantes, das mulheres e dos trabalhadores e trabalhadoras, no marco da luta de classes nacional e internacional e de uma profunda luta ideológica”, ressaltou.
O deputado foi enfático ao ressaltar que “Não se pode defender a revolução desmobilizando o povo”. A mobilização deve ser – acrescentou – organizada, sem anarquia, e reiterou: “a morte da revolução é a desmobilização”.
Oscar Figuera advertiu que os revolucionários não podemos deixar os espaços livres para que o imperialismo e a oligarquia nativa continuem manipulando, ocupando os espaços concretos das universidades, das praças e das ruas, “se isso acontecer, estaremos permitindo que progressivamente se vá isolando o povo venezuelano e perderemos o que é uma condição do processo venezuelano, o caráter popular e de luta do povo”, disse.
Finalmente declarou que a não concessão à RCTV é um problema mais político do que jurídico: “Há que ser claro com o povo. A não concessão do espectro radioelétrico à RCTV é uma decisão política que é parte de uma luta do povo para tirar do inimigo um espaço para manipular e enganar o povo”. É por isso – afirmou – que a revolução recupera este espaço para enfrentar em melhores condições a luta ideológica contra o inimigo de classe.
O original encontra-se em:
http://www.tribuna-popular.org/index.php?option=com_content&task=view&id=936&Itemid=1* * *
Intelectuais argentinos contra a “desmesurada” campanha antichavista
Stella Calloni
Buenos Aires, 28 de maio. Intelectuais argentinos iniciaram hoje uma campanha para apoiar o governo da Venezuela frente à "desmesurada" ação da imprensa internacional que tentou "convencer o mundo" do suposto "fechamento" da cadeia Radio Caracas Televisión (RCTV) na Venezuela, quando o que se trata é do direito de decidir "se continuava ou não com a concessão de um espaço de radiodifusão, recurso inalienável para usar em favor dos povos".
O prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, o cineasta Fernando Pino Solanas, os sociólogos Atilio Borón e Alcira Argumedo, entre outras personalidades, manifestaram suas posições a este periódico e condenaram esta campanha "como uma perigosa escalada de desinformação", que pode servir de plataforma a outros planos de Washington.
Também apoiaram a carta enviada por um grupo de importantes intelectuais e artistas britânicos ao presidente Chávez publicada pelo periódico londrino The Guardian, onde afirmam que é legítima a decisão do “governo venezuelano de não renovar a licença emissora do canal RCTV, que expirou em 27 de maio”.
Acrescentam que a "RCTV não apenas respaldou o golpe militar ilegal de abril de 2002, mas que esteve profundamente envolvida em sua execução e deu apoio prático à derrubada do governo (...) Durante as 47 horas nas quais os perpetradores do golpe estiveram no poder, revogaram grande parte da Constituição democrática da Venezuela, fecharam a Assembléia Nacional, a Corte Suprema e outras instituições do Estado.
Também se referem "à participação direta" da RCTV junto aos autores do golpe e chamam a apoiar a decisão venezuelana advertindo aos leitores ingleses que imaginem "as conseqüências se se descobrisse que a BBC ou a ITV fizeram parte de um golpe contra o governo britânico".
Entre os assinantes figuram o prêmio Nobel de Literatura, Harold Pinter; o escritor e cineasta John Pilger; o especialista em questões internacionais, Tony Benn; o escritor e jornalista Tariq Ali; e a acadêmica Julia Buxton.
Argentinos e britânicos coincidem neste caso em destacar que apesar das acusações dos oponentes políticos ao presidente Chávez, "não há censura na Venezuela, país onde 95 por cento dos meios de comunicação estão nas mãos da oposição, com cinco dos canais de televisão em mãos privadas, que controlam 90 por cento do mercado".
A totalidade "dos 118 periódicos e 706 das 709 emissoras estão em mãos privadas. A RCTV, longe de ter sido silenciada, foi autorizada a continuar transmitindo por cabo e via satélite".
Pérez Esquivel apoiou a decisão do governo da Venezuela e lembrou que foi testemunha do papel dos meios de comunicação venezuelanos privados no golpe de 2002, "que de acordo com as medidas tomadas nas primeiras horas pelos usurpadores do poder, poderia ter sido terrível para esse país e para o mundo. Mas foi derrotado exemplarmente pela vontade democrática popular".
Sua opinião coincidiu com a do cineasta Fernando Pino Solanas em afirmar que por trás desta campanha se esconde uma grave intenção em desestabilizar o governo de Chávez. "Depois do que aconteceu no Iraque não podemos deixar que os empresários da morte imponham sua vontade sobre o direito à vida", disse Pérez Esquivel.
Por sua vez Solanas advertiu sobre "o atropelo e usurpação que significam os espaços de comunicação em toda a América Latina nas mãos de empresas privadas. Neste caso é evidente o papel que cumprem, e se chegou ao extremo de fazer crer ao p que a Venezuela está atentando contra a liberdade de expressão e não a defendendo, ao assegurar maiores espaços para o direito à informação, objetiva, verdadeira e plural".
O cineasta lembrou que os espaços das freqüências eletromagnéticas "não são propriedade das empresas mas dos povos, que concedem licenças para uma exploração que cumpra com a finalidade social do serviço, como um direito que é parte da Carta Universal das Nações Unidas sobre os direitos Sociais e Humanos" e têm direito a recuperá-las, se não cumprem essa função.
Ele considerou que a América Latina "está sendo agredida pelas empresas midiáticas que utilizam a chantagem, a pressão, a mentira e a desinformação. Através do esquema do chamado rating (ibope) lograram um sistema de degradação cultural sem precedentes. Creio que boa parte de nossos males vêm de não havermos colocado na cadeia tantas corporações e empresas que violam os direitos dos povos. Na Venezuela temos visto a paciência e justiça com que atuou o governo, suportando todo tipo de agressões, incluindo os chamamentos ao magnicídio, como se vê nas emissoras. Devemos apoiar este governo que está en perigo, como visto através desta campanha incrível e tão disciplinadamente perversa".
A socióloga e escritora Alcira Argumedo apoia este critério ao considerar que há dois países que neste momento "estão em alto risco: Irã e Venezuela. Este país sempre apareceu como o território de “reserva” dos Estados Unidos e a retirada do Iraque pode ser altamente perigosa e é a principal ameaça sobre Chávez, que tem mostrado uma vontade política extraordinária para usar os recursos para a independência e libertação real".
Ela disse que também é preciso considerar que Chávez e o povo venezuelano derrotaram golpes, greves e campanhas terríveis e aparecem como imbatíveis para os Estados Unidos e seus projetos.
Para Argumedo, os donos do poder e desses meios de comunicação "sabem o perigo que significam para seus interesses as visões alternativas e as vozes múltiplas, as quais estamos vendo atuar a Venezuela de forma tão criativa. Temos visto no caso do Iraque, onde essa visão alternativa revelou o terror, o crime e expôs a verdade sobre os supostos defensores da democracia".
Também o sociólogo, escritor e catedrático Atilio Borón apoiou da Noruega, onde se encontra, a legitimidade da decisão venezuelana e lembrou que uma campanha midiática como a atual já foi utilizada " com a intenção de derrubar o presidente Chávez, democraticamente eleito. Isso é uma violação tanto nos Estados Unidos, como na Europa. O golpe de 2002 foi preparado pelos meios de comunicação privados, e as emissoras de televisão que tomaram parte dele teriam sido fechadas de imediato em qualquer país do mundo. O governo não o fez mas tem o direito de não renovar uma licença, cuja utilização tem sido tão cara ao povo".
O original encontra-se em:
http://www.tribuna-popular.org/index.php?option=com_content&task=view&id=928&Itemid=1Tradução para o CeCAC por M.H.
Leia também:
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http://www.tribuna-popular.org/index.php?option=com_content&task=view&id=933&Itemid=1“A DESPLEGAR LAS FUERZAS DEL PUEBLO EN DEFENSA DE LA REVOLUCION”
http://www.tribuna-popular.org/index.php?option=com_content&task=view&id=920&Itemid=1Esta página encontra-se em www.cecac.org.br
01/junho/2007