Vicente Salles e O Negro no Pará
- depoimento de José Ramos Tinhorão -


Em fraterno e coloquial depoimento sobre Vicente Salles, o pesquisador e historiador José Ramos Tinhorão aponta a importância da contribuição do colega paraense - no caso, particularmente, para o estudo da participação do negro no Pará no processo de colonização do Brasil. Ressalta qualidades específicas de Vicente: ao lado de um vasto e profundo conhecimento de seu ofício, uma humildade onde “não tem o eu. O Vicente quase não fala "eu", entendeu? Ele não se põe no centro das coisas”. Tinhorão acredita que somente futuras gerações de pesquisadores poderão reconhecer toda a grandeza da produção de pessoas como Vicente Salles.

***

“O Negro no Pará teve a fortuna de abrir novos horizontes ao estudo do negro no Brasil. Mostrou que na Amazônia o negro também foi uma presença marcante na formação da sociedade e na geração de uma economia que possibilitou, aos donos da terra, executar o projeto de assentamento de uma sociedade colonial, nos moldes das demais conquistas, base da formação da sociedade brasileira.

... adverti que tanto o texto como a bibliografia poderiam ser revistos e ampliados, pois as pesquisas e os estudos da presença do negro no Grão-Pará haviam tomado nova dimensão, assim como pessoalmente havia ampliado investigações dos quilombos e do papel do negro na formação da classe operária no Pará, sua incansável participação nas lutas sociais no fim do século XIX, antes e depois da lei de 13 de maio de 1888.” Vicente Salles [1]

***

Depoimento de José Ramos Tinhorão [2]

M. Vicencia: Qual a importância de Vicente Salles na pesquisa cultural brasileira?

J.R.Tinhorão: Em primeiro lugar, deixe-me dizer como conheci Vicente Salles. No início da década de [19]60, ainda trabalhando no Diário Carioca (de onde fui depois para o Jornal do Brasil, em 1961), eu era um comprador de livros do Instituto Nacional do Livro, que funcionava nos fundos da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, pela rua México, onde havia uns degrauzinhos. Descia-se ao subsolo e ali tinha um guichezinho onde se comprava livros editados pelo Instituto Nacional do Livro. E do outro lado da rua (México) funcionava a Campanha de Defesa do Folclore, então dirigida pelo folclorista e antropólogo Edison Carneiro, e o Vicente Salles trabalhava com ele. Já neste início de [19]60, ele, ainda se formando em antropologia, já preparava material para o que viria a ser, em 1971, o livro O Negro no Pará.

 

E eu encontrava os dois muitas vezes na rua México, conversávamos... Ele tinha trabalhos avulsos que publicou pela Campanha em Defesa do Folclore. Fui vendo que aquele rapaz, como eu (nós temos mais ou menos a mesma idade; rapaz naquela época, hoje, senhores) era um cara muito inteligente e o próprio fato de ele estar com /e o Edison Carneiro gostar muito dele, dar tanto crédito a ele, me fazia compreender que era uma pessoa que não era comum.

Aí, de repente, em 1971, estreitamos relações. Ele morava em Botafogo, cheguei a visitá-lo lá e ver que ele tinha, como eu, um acervo próprio, por causa da dificuldade de fontes no tipo de área em que a gente trabalha. Não adianta você dizer: "ah, eu vou para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro..."; você vai encontrar muita coisa, realmente. Mas ele, por exemplo, procurava partituras de música e começa a se interessar pela música do Grão-Pará (depois ele produz livros sobre esse tema) e aí a dificuldade.

Ele começa a se interessar pelo cordel, a literatura de cordel no Pará, havia uma coleção de livretos com letras de músicas. E ele começa a correr atrás destas coisas. Aí, não adianta ir à Biblioteca Nacional, pois não tem.

E forma uma biblioteca particular dele, de assuntos da Amazônia em geral, fantástica! Talvez só comparável, não sei, à do Arthur César Ferreira Reis, que era um especialista também naquela área, com muito mais condições que ele. Vicente vivia com seu vencimento de funcionário público, que o obriga, com a transferência da capital depois, a ir para Brasília.

Pois bem, em 1971, quando sai, O Negro no Pará foi uma revelação! Eu, que me interessava muito por cultura urbana e, portanto, [pelo assunto] - como o negro brasileiro é importante na produção de cultura popular, por causa da sua condição de ritmista e de uma religião também muito rica, cheia de símbolos. Até a década de [19]70, se dizia da grande participação do indígena, do silvícola no Grão-Pará, que se traduzia num tipo de cozinha, de lendas com coisas indígenas. Mas havia o mito de que o negro – que tinha sido tão importante na colonização de Pernambuco para baixo, da cana de açúcar; depois na zona do centro do Brasil, área de mineração; depois no café, já no século XIX, em São Paulo – lá no Pará não tinha lá essa importância...

Pois muito bem, o material que o Vicente Salles, sozinho, consegue levantar! Com idas de vez em quando à sua cidade Belém, com procura nas bibliotecas locais e nas mãos de particulares – ele começa a procurar velhos músicos que disponibilizam para ele seus baús com suas coisas – ele consegue um material, com busca na imprensa, nos jornais - que é uma coisa dura: só quem sabe esse tipo de pesquisa, sabe como é pegar e ler dez anos de jornal... É uma pedreira!

Porque jornal é página por página. Saía diariamente. Então, cada jornal leva pelo menos uma hora, uma hora e meia de leitura. E quando se encontrava um assunto interessante, precisa copiar a mão, às vezes, porque não tinha xerox e, às vezes, não podia fazer fotocópia. Tinha que fazer microfilme, mas microfilme não era toda a biblioteca que tinha, e era complicado.
Essas anotações que fizeram o acervo de informações de que o Vicente Salles veio a dispor sobre o negro no Pará para o livro dele é uma coisa que só quem é da mesma área pode avaliar, nas condições brasileiras, o que representa de sacrifício, de trabalho, de abnegação. E, até vou dizer, de obsessão! Porque senão o cara não consegue.

Pois ele, tendo formado para uso próprio uma biblioteca pessoal, começa a se interessar, por exemplo, por determinadas músicas que poderiam, possivelmente, ser de autores paraenses, mas a música era cantada pelo Brasil como de domínio público. Então, correndo atrás dessas coisas, vai atrás de partituras, de referências iconográficas e consegue um material que, pelo que vejo na terceira edição do livro O Negro no Pará, ele tem material para mais dois volumes, que ainda não encontraram editor.

Quer dizer, o Brasil continua a ser um país subdesenvolvido! Porque não sair correndo para editar essa coisa do Vicente Salles é realmente típico de país ainda sem perspectiva cultural própria!

Então, a partir daí, esse livro vira um livro seminal no Brasil, mexe com tudo aquilo que vinha de estudo de negro. Que vinha da década de [19]30, com Arthur Ramos, com Manuel Querino. Porque todo mundo se concentra no negro na Bahia, o negro no Rio de Janeiro, nos depoimentos de viajantes. E ele descobre, prova que, na economia colonial, também no Grão-Pará - "esse Grão-Pará das tradições indígenas, de influências indígenas..." - o negro estava lá.

Quer dizer, ele foi explorado como no resto do Brasil e deu a sua força-de-trabalho para a construção disso que a gente chama de Brasil.

M. Vicencia: E a repercussão desse livro?

J. R.Tinhorão: As pessoas que estudam a área do negro no Brasil reconheceram imediatamente a importância do livro. Tanto que você pega livro sobre negro no Brasil que continua, ainda, a privilegiar o negro na área que era mais conhecida – de Pernambuco até São Paulo; depois o Paraná, onde o sociólogo aqui de São Paulo, Octavio Ianni, mostrou que também houve uma importância do negro um pouco deixada em segundo plano. Todas as pessoas que têm uma certa intimidade com os estudos nesta área sabem que, para o caso do negro no Grão-Pará, não tem para ninguém, é o livro do Vicente Salles. É como eu disse: é um livro seminal. Não se pode escrever sobre a presença do negro no Brasil, sem conhecer e citar esse livro do Vicente Salles.

M. Vicencia: E em relação a um outro trabalho, que trata do marxismo no Brasil, o que você diz?

J. R.Tinhorão: A história recente do Brasil, a história dos fatos, principalmente dos fatos sociais e fatos políticos, está nos jornais ou na cabeça dos velhos que foram testemunhas e que vão morrendo na casa ali dos 80, de 80-90 [anos] - é mais ou menos a média máxima de vida consciente, lúcida; e esses portadores de notícias históricas vivas desaparecem com essa idade.

 

Ora, temas como esses - o início do socialismo na década de [19]10 e [19]20, com os anarquistas, era privilégio de pessoas que tinham participado desses movimentos, mas que a partir da década de [19]50 foram desaparecendo. Então, a não contar com o testemunho pessoal – e como isso não era uma coisa que merecesse ir para livros (livro de história era a “grande” história, a guerra do Paraguai, os generais, os governos, quem derrubou quem...) – estava nos jornais.

Mas, como eu disse anteriormente, a pesquisa em jornal é uma coisa muito dura. Primeiro, você não encontra coleções de jornais completas em biblioteca nenhuma. Nem nos próprios Estados. Por exemplo, você vai ao Ceará e quero ver se você encontra uma coleção completa do Jornal Libertador, que foi importante na luta pela Abolição no Ceará, a primeira província do Brasil a libertar os escravos, em 1884. Não encontra. Tem um semestre, aí pula; depois tem mais um trimestre encadernado. Mas quem tem o outro trecho? “- Está na biblioteca tal...” Mas isso só tem em São Luís... Então, o cara tem que sair de Belém e ir para São Luís. “ - Não, isso aí só tem no Recife, tem uma biblioteca lá que tem...”

E o Vicente vai para as bibliotecas, e como ele tinha essa facilidade, é funcionário e nas idas dele, em férias, ia em férias para trabalhar nessas coisas. Ele faz pesquisa em jornais do Pará e, através destes, descobre coisas interessantíssimas na área, por exemplo, da história das lutas políticas.

Ele descobre que a primeira vez que um brasileiro viu a cara do Marx, num desenho, foi num jornal do Pará! Aí foi atrás, porque junto ao título [da matéria] tem essa ilustraçãozinha com a cara do Marx. Ele descobriu que o dono da tipografia era um alemão que tinha vindo para o Pará, depois de se envolver em lutas operárias na Alemanha, num daqueles "n" partidos socialistas que a Alemanha tinha no fim do século XIX. E ele traz um clichê – naquela época a impressão é por clichê. Ele traz um clichezinho que deve ter sido de algum jornal, também publicado na Alemanha. Com o material tipográfico, ele traz o tal clichezinho com a cara do Marx. Como o jornal era um jornal de esquerda, ele botou lá a carinha do Marx.

Ora, quem é que fez essa descoberta, que tem uma significação histórica muito interessante: quando a gente conheceu a cara deste cidadão pela primeira vez? “ - Foi num jornal do Pará!”. E quem descobre isso? O Vicente Salles.

Como ele descobre isso? Indo lá compulsar, página por página, os remanescentes, o que ainda resta de jornais do fim do século XIX e do início do século XX no Pará. O que é um trabalho duro, humilde.

Interessante. É um trabalho de grande resultado, de resultado muito importante, mas que só pode ser feito por pessoa que tem certa humildade. Porque pesquisar em jornal é uma coisa que exige muita humildade.

 

Não é comprar um livro editado na Europa, que você sai com ele depois debaixo do braço, e diz assim: “aqui como diz fulano no livro tal, que acabou de sair numa edição em Paris e tal ...” Não. Era essa coisa de jornal: ele ia lá pedir para ler jornais. O que, talvez, o bibliotecário lá ficasse espantando ao ver aquele cara querendo ver o jornal que há anos estava lá na estante e nunca ninguém pediu para ver aquilo! Ver aquilo para quê? Fatos. Jornal relata os fatos diários de 80, 90, 100 anos atrás. Para quê isso?

Então, esse é um trabalho humilde de pesquisa, praticamente primária, porque aquilo está morto lá, e todo aquele manancial de informações está lá e, ao mesmo tempo, está morto porque ninguém consulta. E ele transforma, depois, com o seu conhecimento pessoal, global, transforma aquilo em um livro.

Sempre digo quando converso sobre quem produz o que no Brasil: há determinadas pessoas que a gente só vai conseguir avaliar num futuro muito grande.

Por exemplo, o Luís da Câmara Cascudo. Professor de Liceu, viveu sempre em Natal, capital do Rio Grande do Norte. E ali, regionalmente, naquela pequena capital de um estado que não era tão importante, nem tão rico; hoje tem até talvez mais repercussão, por causa do turismo, hotéis. Naquela época, não. Então, esse sujeito lá, longe das grandes bibliotecas brasileiras, constrói uma obra fantástica pela variedade da abordagem de temas, produzindo no que se chama hoje, com tanto orgulho, de nível acadêmico, sendo apenas um professor de Liceu!

Essas pessoas só poderão ser avaliadas na grandeza da sua produção quando realmente desaparecidas todas as idiossincrasias de época, [quando] os futuros pesquisadores - que já não encontrarão, talvez, os jornais (já terão acabado de se esfarelar por essas bibliotecas mal cuidadas ) - eles vão reconhecer o valor desses pioneiros.

Sempre tive uma grande admiração pelo Vicente Salles, e espero até que ele saiba disso. Eu ponho isso nas dedicatórias dos meus livros quando os ofereço a ele.

M. Vicencia: Você quer contar algum momento específico que ilustra essa amizade e essa personalidade ímpar que é o Vicente Salles?

J.R.Tinhorão: Engraçado, nós não temos muita intimidade, muita proximidade, porque saí do Rio e vim morar em São Paulo; ele sai do Rio de Janeiro e vai para Brasília. Mas à distância eu sempre soube dele. Ele, muito mais organizado que eu, mandou [recortes] uma vez - quando ele estava com a mania de estudar modinha para determinar, por exemplo, a modinha "Casinha pequenina". Ele sabia que eu tinha muitos discos primitivos da casa Edison, então descobri que tinha uma versão chamada Casinha bonitinha. "- Ah, isso aqui é uma outra letra de um outro fulano". Então, nessa época ele me mandou recortes, uma coleção de recortes do que ele colheu.

Paralelamente a essa pesquisa que ele faz, que ele vai acumulando material para os seus livros, pelo caminho, ele também vai escrevendo para a imprensa. Ele escreve, tem numerosíssimos artigos, ensaios, sobre o andar das pesquisas dele em torno de modinhas revelando coisas, revelando versões. E, então, ele dizia: " - Tinhorão, se você tem, me manda uma cópia", e eu mandava uma cópia da música para ele. Em compensação ele me mandava, também. Nós nunca perdemos o contato à distância. Então, não somos assim aqueles amigos de sair, de sentar em um lugar para conversar longamente, não.

Mas não precisa isso, porque há uma espécie de entendimento à distância, em que passa um certo tempo, um não se comunica com o outro, mas de repente por qualquer razão, por necessidade, ou minha ou dele, ou um livro que eu mando para ele, ele recebe, ele acusa religiosamente: "Olha recebi, achei isso e aquilo". Faz inclusive contribuições quando encontra coisas que poderiam ser ditas. E é exatamente aí que eu acho que ele se impõe.

Por exemplo, se a gente tivesse uma relação assim, muito íntima e eu fosse um “papa jantares” e se eu fosse à casa dele, ele me oferece belos almoços - há um lado interesseiro em certas amizades... No nosso caso não há. Quer dizer, é de pura - pelo menos da minha parte –, pura admiração intelectual. E como nós somos oficiais do mesmo ofício - como se fosse ainda nos tempos das corporações - tenho uma grande admiração porque sei o quanto custa esse tipo de trabalho que ele faz.

Porque ele, por exemplo, jamais disse assim: “porque eu....”. Não tem o eu, o Vicente quase não fala “eu”, entendeu? Ele não se põe no centro das coisas. É nesse sentido que eu digo que ele tem essa virtude de uma humildade... Mas uma humildade que tem uma auto consciência. Ele sabe o que ele vale. Mas ele não impõe isso para ninguém. Você fala com o Vicente e ele fala baixinho, ele não se exalta, ele te ouve, aí ele vai lá e dá a beliscadazinha dele. Por quê? Porque ele sabe!

Então, pronto, acho que como declaração de admiração já foi o bastante!

***

Vicente Salles

“Nasceu na Vila de Caripi [em 27 de novembro de 1931], município de Igarapé-Açu, nordeste do Pará. O interesse por literatura, música e folclore começou bem cedo. Seus primeiros trabalhos foram publicados no jornal A província do Pará.

Foi o poeta Bruno de Menezes quem apresentou a Vicente os grupos populares de Belém, batuques, pássaros e bumbas. Em 1954, Vicente Salles começou sua peregrinação pelo interior do Pará, pesquisando a história das bandas de música e carimbó. Nesse mesmo ano, decidiu morar no Rio de Janeiro.

Estudou jornalismo, colaborou com jornais e revistas nacionais e ba-charelou-se em Ciências Sociais, pela Faculdade Nacional de Filosofia.

 

Vicente sempre esteve à frente das campanhas de defesa do folclore brasileiro. Trabalhou no Conselho Federal de Cultura e foi eleito membro do Conselho de Música Popular do Museu de Imagem e Som do Rio de Janeiro. Paralelamente às atividades de servidor público, foi professor no Instituto Villa-Lobos, RJ e na Faculdade de Artes do Distrito Federal.

Na direção do Museu da Universidade Federal do Pará, Vicente implantou projetos de pesquisa sobre cultura popular, mapeamento dos quilombos paraenses e continuou organizando o seu acervo de partituras manuscritas e impressas, discos, fitas, imagens, livros, folhetos e recorte de jornais.

Em 1974, foi morar em Brasília. Participou de vários projetos culturais, que resultaram na publicação do Atlas Cultural do Brasil, além de iniciar a produção de discos da coleção Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro.

O resultado de uma vida dedicada à cultura do Brasil são 18 livros publicados, 37 brochuras e alguns prêmios importantes. Vicente Salles segue pesquisando e escrevendo com o mesmo cuidado e esmero com que recupera velhos manuscritos para que não se percam, por descaso, nem que sejam corroídos pelas traças e pelo tempo.” [1]

***


Imagens do século XIX (AGASSIZ, Luiz; AGASSIZ, Elizabeth Cary. Viagem ao Brasil; 1865-1866. São Paulo, 1938, p. 307 - coleção do autor)[1]

“De há muito que nesta cidade se observa que os negros se apresentam em público, e no particular para com seus senhores, com um certo ar altivo, e falando em carta de alforria que, consta, diziam lhe estava chegando”...

...O destino natural do negro fugido era o mocambo. A fuga se tornara tão intensa, com o correr do tempo, que o governo, alertado pela imprensa, pressionado pela classe dos proprietários de escravos, teve de tomar medidas severas para sua destruição. ...

... Os proprietários, através de seus órgãos de imprensa, tornavam-se cada vez mais exigentes ... A linguagem se torna cada vez mais violenta:

...Esperamos ao bem conhecido zelo da polícia, que mande sem demora alguma, assaltar o dito quilombo, com gente armada de pólvora e bala, fazendo apreender todos os que nele se acharem, destruindo e arrasando para nunca mais ter serventia alguma...[1]


Imagens do século XIX (Desenho de François Biard, 1862 - coleção do autor)[1]

***


José Ramos Tinhorão e Vicente Salles no Mercado Ver-o-Peso, Belém - PA (1999)


A partir do Mercado Ver-o-Peso, Tinhorão e Vicente Salles
apreciam o casario da cidade velha, Belém - PA (1999)

***

Coleção Vicente Salles

A Coleção Vicente Salles é referência na Biblioteca do Museu da Universidade Federal do Pará. ...é composta também por um conjunto de folhetos de cordel, paraenses e nordestinos, que tratam do folclore brasileiro, por um banco de partituras com cerca de 3.000 peças de compositores, a maioria nascidos ou residentes no Pará, a qual pretende resgatar a memória musical do Estado desde 1878, e por uma hemeroteca com quase 70.000 recortes de jornais que referem-se a assuntos diversos, dentre os quais estão artes, música, literatura e cultura popular. leia mais

Bibliografia (parcial)

Música e músicos do Pará

O negro no Pará

Repente & Cordel (Prêmio Silvio Romero, 1981)

A música e o tempo no grão-Pará

Sociedades de Enterpe: as bandas de música no grão-Pará (1985)

A capoeira na Pará (1994)

Memórias sobre a rede de dormir (1994)

Edison Carneiro e o folclore do negro (1994)

Influência da cultura afro nos costumes paraense (1995)

Os mocambeiros (1995)

Lambadas de cachaça (1995)

tradução de Folclore Brasileiro, de F. J. de Santa-Anna Nery (1992)

Marxismo, socialismo e os militantes excluídos (2001)

Maestro Gama Malcher (2005)

***

Notas:

[1] O Negro no Pará sob o regime da escravidão – Vicente Salles. 3ª ed. rev. ampl. – Belém: IAP; Programa Raízes, 2005. topo

[2] O depoimento a Maria Vicencia Pugliesi foi concedido na livraria “Metido a sebo”, em São Paulo (julho de 2006). topo


Tinhorão e M. Vicencia na livraria Metido a Sebo, São Paulo - SP (2005)

Esta página encontra-se em www.cecac.org.br
23/novembro/2006