Isto é bom que dói
Monarco
- UMA HISTÓRIA DO SAMBA

Uma história do samba de Monarco é daqueles cds imprescindíveis. Pelo Monarco e por sua história do samba. Um dos melhores sambistas de nosso tempo, Monarco (ou Hildemar Diniz) criou algumas músicas e escolheu um repertório representativo dos bambas para ser referência do ritmo em qualquer seleção.
Com um timbre de voz inconfundível, com aquela elegância toda sua que mistura humildade e altivez, Monarco passa gingando pelas melodias e mostra que sabe contar (e fazer) história, brindando o ouvinte com um passeio por temas de Xisto Bahia, Noel, Cartola, Silas de Oliveira, Sinhô, Bide, Ismael Silva, Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, entre outros. E os de sua autoria: Nossos pioneiros; Samba, velho amigo e O passado da Portela, além de Já lhe esqueci e O que tu queres não pode ser com Alcides Lopes.
Repertório
1. Nossos pioneiros (Monarco)
2. Isto é bom (Xisto Bahia)
3. Ora vejam só (Sinhô)/A malandragem
(Bide)
4. Uma jura que eu fiz (Ismael Silva/Francisco Alves/Noel Rosa)/Rir
(Cartola/Francisco Alves/Noel Rosa)
5. A maré (Caetano)/Já lhe esqueci (Alcides Lopes/Monarco)/O
que tu queres não pode ser (Alcides Lopes/Monarco)
6. João Ninguém (Noel Rosa)
7. Sexta-feira (Ataulfo Alves)
8. Escurinho (Geraldo Pereira)
9. Samba, velho amigo (Monarco)
10. Partido alto da antiga (D.R.)
11. Aquarela brasileira (Silas de Oliveira)
12. O passado da Portela (Monarco)/Amor de malandro
(Alcides Lopes/Monarco)
13. O samba não pode acabar (Mauro Diniz/Monarco)
O acompanhamento é de primeira, com o time: Paulão (7 cordas),
Mauro Diniz (cavaquinho), Henrique Cazes (cavaquinho, violão tenor, viola
caipira), Gordinho
(surdo), Paulo Sergio Santos (clarinete), Maionese da Flauta, Beto Cazes
(percussão), Eliezer Rodrigues (tuba), Nailson Simões (trompete)
e no coro: Cristina Buarque, Teresa Cristina, Doca, Surica, Pedro Miranda, Chico
Donadoni, Mariana Bernardes.
O cd foi produzido por Katsunori Tanaka, com co-produção de Henrique
Cazes.
A
música popular brasileira
Tem uma história tão linda e altaneira
É com prazer que vamos exaltar
Nomes que vieram lhe consagrar
Como Pixinguinha, Donga e Noel
Que agora estão descansando
No reino do céu
Gosto
que me enrosco
De ouvir dizer
Sinhô foi o bamba
Que não devemos esquecer
Está gravado nos anais da história
Essa inesquecível página de glória
Música e seus acordes divinais
Tempos que não voltam mais.
Samba
Velho amigo e companheiro
Alegria dos nossos terreiros
Há muitos anos atrás
É este o mesmo samba verdadeiro
Que partiu para o estrangeiro
E penetrou nas camadas sociais
Samba do Estácio e Ismael
De Cartola e Mestre Paulo
Bide, Mano Rubem e Noel
Estácio,
Mangueira e Portela
Tijuca, Favela
Os professores do morro
Nos mesmos ideais
Fizeram a grande alegria
Dos carnavais
Foi aí que o samba evoluiu
Como representante maior
Da cultura do Brasil.
Não
podemos esquecer
Os nossos professores
Que tanto fizeram por você
Samba, você bate com os nossos corações
Sendo lá no morro
Ou na nobreza dos salões
Vejo a fidalguia se curvando pra você
Samba você não pode morrer
Não morreu nem morrerá
É a nossa cultura popular
Noel em seu Feitio de Oração
Já dizia que o samba
Tem que vir do coração
Venham todos pro terreiro
Tragam surdos e pandeiro
Reunião de partideiro
Vai até o sol raiar
Este samba verdadeiro
Já brilhou no estrangeiro
De janeiro a janeiro
O samba não pode acabar.
O cd foi lançado pela Rob Digital, para mais informações, clique:
http://www.robdigital.com.br/site_2004/mais_informacoes.asp?codigo_produto=192
* * *
Vale acessar o blog Eu gosto de samba para conferir entrevista de Monarco.
Aí vai uma amostra:
“...Esqueceram do samba de terreiro, que é uma coisa que vem de dentro do coração, como dizia Noel, sem sinopse nem idéia pré-concebida. Tinham que fazer mais concurso de samba de terreiro, escolher uns quatro ou cinco bons sambas e cantá-los antes do concurso de samba-enredo.
Hoje só pensam no samba-enredo, que dá dinheiro e status. Deve ser isso. Mas eu não quero nem saber... Continuo falando das estrelas e flores. Agora mesmo fiz um samba, Coração feliz, caminhando aqui pela minha vizinhança. Depois o samba foi completado pelo meu filho, o Mauro Diniz, e nos deu a vitória naquele festival Fábrica do Samba, que valeu um troféu e um prêmio do qual só nos pagaram a metade. O moço disse que ainda vai pagar a outra metade e eu espero que pague, pois estamos esperando...
Enquanto isso, vou fazendo meus sambas, gravando minhas fitinhas e ensinando aos amigos nas esquinas. Tem garotada boa aí - o Arlindo Cruz, o Marquinhos de Oswaldo Cruz, o meu filho Marquinhos Diniz (que cria sambas jocosos com o Barbeirinho)... E faço um apelo para essa moçada não parar de compor, independentemente das vantagens do samba-enredo. Como tocamos pouco no rádio, o negócio é compor e ir para as esquinas cantar. Assim vamos espalhando nossas composições. ...”
* * *
Outros discos gravados por Monarco:
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Monarco
(1976) Continental |
Terreiro
(1980) |
A
Voz do Samba
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