Aumento do superávit primário: mais dinheiro público para remunerar agiotagem
Um
dos pilares da política econômica neoliberal que garante a “estabilidade”
para a remuneração do capital financeiro é o superávit
fiscal primário, que significa o que o governo “economiza”
– a diferença ente as receitas e despesas da União, dos
Estados, municípios e estatais – para pagamento de juros.
O Presidente Lula, lá fora, em discurso na ONU, afirma que “os
países ricos exercem um nova forma de colonialismo sobre os países
pobres” e, ao voltar para o Brasil, na prática, “renuncia
a legítimos projetos de desenvolvimento nacional”, se submete à
dominação imperialista e decide aumentar a meta do superávit
primário em 2004 de 4,25% para 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O
valor previsto sobe de R$ 72 bilhões para R$ 76 bilhões. Mas até
agosto deste ano (ou seja, em 8 meses) o dinheiro “economizado”
para pagar juros já chegou a R$ 63,728 bilhões, valor equivalente
a 5,82% do PIB referente ao período
Se a estes R$ 76 bilhões for somado o montante referente à “rolagem”
da dívida pública interna (os R$ 76 bilhões não
são suficientes para o pagamento da totalidade da dívida que vence
este ano) e ao pagamento da dívida externa, chega-se ao estratosférico
valor de R$ 185 bilhões, que corresponde à previsão da
sangria de recursos públicos, em 2004, para a remuneração
da agiotagem dos bancos, fundos de investimento, etc., em detrimento das áreas
sociais e dos investimentos públicos.
Vejamos alguns dados comparativos. R$ 185 bilhões corresponde aproximadamente
a:
12
vezes o orçamento da educação = R$ 15 bilhões
5 vezes o orçamento saúde = R$ 34 bilhões
72 vezes o valor previsto para o Ministério das Cidades (responsável
pelo saneamento básico e habitações populares) = R$ 2,568
bilhões
121 vezes o orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário
= R$ 1,521 bilhões
Se considerarmos o período de um ano de pagamento de juros:
2 meses de pagamento
de juros = investimento das 59 estatais previstos para 2004 = R$ 32,8 bilhões
1 mês = dispêndio anual para a atenção hospitalar
e ambulatorial no SUS = R$ 15,9 bilhões
10 dias = todos os recursos alocados para o “bolsa-escola” (que
unificou ações sociais do governo) = R$ 4,7 bilhões
1 dia = cobre com folga todo o gasto previsto para a construção
de casas populares = R$ 441 milhões
1 semana = supera os gastos anuais previstos com o programa Brasil Alfabetizado
= R$ 3,5 bilhões
1 hora = supera dotação anual para a conservação
de monumentos históricos
1 minuto = alocação com a política de direitos humanos
A análise e o debate sobre conjuntura nacional terão continuidade
no próximo número do boletim do CeCAC.