“O PT apodrece visivelmente.” *
No
final do ano passado, esperando a chegada do novo ano, fomos “pegos de
surpresa” por nova propaganda do PT e do governo.
A matéria - no mínimo 3 páginas inteiras para a satisfação
dos donos da grande imprensa burguesa em crise - pretendia-se impactante. Relembra
o final de 2002, “um cenário econômico sombrio”!, que,
em ato falho, o PT apresenta em vermelho!, e apresenta o término de 2003
como “um cenário econômico promissor”!!!.
Segundo Duda Mendonça, o novo secretário de “propaganda”
do Planalto e do PT, tudo graças a “uma política responsável
que produziu resultados consistentes, verdadeiros”.
Vejamos
nas tabelas abaixo, a realidade do Brasil de Lula e do PT e a do Brasil no qual
vivem os trabalhadores e as massas populares.
Agora,
vamos mostrar o que significam os números da propaganda de Lula e do
PT e como eles se relacionam com o Brasil onde vivem os trabalhadores e as massas
populares, e onde estes sentiram na pele, em 2003, a recessão econômica
e a crise social agravadas pela política de Lula.
Em primeiro lugar. O que é o enigmático “risco Brasil”?
Do ponto de vista do governo de Lula, do PT e do capital financeiro, vamos ver
que é a tal cruz, a qual não só se tem de beijar como também
de obedecer conforme o índice sobe ou desce, manifestando a aprovação
divina ou a reprovação diante de todos os pensamentos, palavras
e obras e ações governamentais.
O chamado “risco Brasil” nada mais é que um índice
utilizado pela especulação financeira internacional para auxiliar
em suas decisões de investimento. Definida sua função,
apresentemos o criador e sua criatura. O Emerging Markets Bond Index - nome
de batismo do “risco Brasil”, ou, em português, índice
de bônus de mercados emergentes - não é nada mais nada menos
do que um índice criado pelo banco americano J. P. Morgan. Este índice
é um indicador financeiro da rentabilidade que o capital internacional
exige obter acima da rentabilidade paga pelos títulos do Tesouro dos
EUA, se quisermos que ele se “arrisque”, aplicando em bônus
de nosso “mercado emergente”. “Mercado emergente” que,
na realidade, é um eufemismo do capital financeiro para qualificar os
países dominados que, por serem dominados, se submetem a pagar o que
determina o imperialismo ao capital que vem aqui especular.
Ou seja, se o EMBI está elevado, como em novembro de 2002, significa
que o capital financeiro está “arrancando o couro” do país,
castigando para mostrar que não admite nem que se pense em outra política
econômica. Portanto, exige taxas de valorização estratosféricas,
corta créditos, provoca a fuga de capitais, faz todo tipo de chantagem.
E quando ele cai, como em novembro de 2003, significa que o capital financeiro
está “arrancando o couro” com tranqüilidade porque sabe
que o governo se dobrou aos seus ditames.
Por que então a comemoração do governo? É claro
que mesmo o colaborador mais servil do imperialismo - como têm se mostrado
Lula, o PT e os partidos que o apóiam, defendendo sem tugir ou mugir
a mesma política de governo - preferiria ser menos explorado que mais
explorado. Mas não é só isso. O funcionamento do sistema
financeiro internacional atual traz duas outras implicações para
o “risco Brasil”, que aprofundam a perda da soberania do país,
a saber:
a) O piso dos juros básicos do país passa a ser determinado no
mercado internacional.
Dado o domínio do capital externo, a condição para seu
ingresso no Brasil passa a ser a de que os juros pagos aqui sejam iguais ou
maiores que a soma dos juros pagos por títulos equivalentes nos EUA,
mais o adicional representado pelo “risco Brasil”.
A fixação dos juros pelo Banco Central, aceitando respeitar essa
regra, define apenas o adicional que o país paga sobre esse mínimo
e a subordinação do governo ao capital internacional;
b) O capital financeiro internacional usa o índice para mostrar se está
(ou não) satisfeito com a política econômica do governo
de cada país e assim impor sua política.
As variações do “risco Brasil” passam a ter uma interpretação
subjetiva, não prevista no cálculo original. Qualquer ameaça,
mesmo que hipotética, aos lucros do capital financeiro é respondida
com a elevação do índice. Com essa chantagem, o capital
financeiro explicita seu poder de veto às decisões econômicas
“internas”.
É o que acontece hoje quando cai o “risco Brasil”, que Lula,
o PT e seus aliados festejam, já que o capital financeiro está
satisfeitíssimo com o governo Lula e festejando com eles. Outro aspecto
a registrar é o baixíssimo índice de remuneração
dos títulos do tesouro norte-americano, que empurra o capital financeiro
a especular nos países dominados, atrás de taxas de lucro maiores,
fazendo o “risco país” baixar no conjunto dos “países
emergentes”. A “taxa de risco” do Brasil continua sendo uma
das maiores do mundo.
Segundo. Em relação à inflação, aos juros
e ao dólar, a elevação conjunta desses três índices
reflete, na verdade, o mesmo fenômeno: a opção, ideológica,
feita desde Collor/FHC, mantida e aprofundada pelo governo de Lula, do PT e
de seus aliados, de deixar ao “mercado” - leia-se ao capital financeiro:
os grandes bancos nacionais e estrangeiros - o comando da economia brasileira.
Dessa maneira, o governo FHC, com a política de câmbio flutuante,
permitiu que a especulação desvalorizasse o real em mais de 50%
entre janeiro e novembro de 2002 com a fuga de capitais, o que materializava
a pressão e chantagem para que Lula e o PT continuassem adotando políticas
que fossem favoráveis ao capital financeiro, com as quais Lula já
se havia comprometido na famosa audiência com FHC e Malan para acertar
o acordo com o FMI.
Com a indexação dos preços de contratos ao dólar,
a inflação conseguiu crescer mesmo na crise econômica e
os próceres do então futuro governo passaram a alardear que a
inflação estava rondando 40% na virada do ano - na verdade, o
expediente de anualizar a inflação do mês, conseguindo com
a esperteza o índice de 42,9% ao ano.
O terceiro índice, os juros, respondeu à elevação
do “risco Brasil” e da inflação, garantindo assim
ao capital estrangeiro e nacional que o governo faria tudo o que seu mestre
mandasse e assim asseguraria que continuassem explorando e lucrando às
custas de nosso povo.
Em resumo, o cenário econômico no final de 2002 era de crise grave,
causada pelos efeitos perversos de uma década de aplicação
de políticas econômicas neoliberais no país, a “herança
maldita”. Além disso, a crise tornou-se mais aguda pela postura
do capital financeiro, nacional e estrangeiro, de aumentar a chantagem para
garantir que Lula e o PT aplicariam a política com a qual se haviam comprometido.
Nessas condições, qual foi a opção de Lula, do PT
e dos partidos seus aliados em termos de política econômica? As
medidas adotadas justificaram o “medo” do capital financeiro e beneficiaram
os trabalhadores e as massas populares do país? Como todos sabem, a resposta
à segunda pergunta é claramente não. Na verdade, muito
pelo contrário. O governo de Lula e do PT não só manteve
a lógica da política econômica de FHC, causadora da “herança
maldita”, como ainda a aprofundou.
Não somos só nós a dizer isto. Vejamos a opinião
de Gilberto Maringoni, intelectual com longa trajetória política
no PT:
“A esta altura, apenas opiniões ingênuas ou claramente interessadas ainda propagam a falsa idéia de que o futuro nos reserva uma mudança de orientação na essência dessa diretriz, consubstanciada na política econômica de mega-superávits fiscais, juros altos, manutenção do caráter privado do Estado – materializado no prosseguimento da política de financiamento barato, via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), às transnacionais que abocanharam as ex-empresas estatais – e na subordinação das mal denominadas ”políticas sociais” ao “realismo orçamentário”. Em outras palavras, não resiste à menor reflexão séria a idéia de que este seria um “governo em disputa” entre as classes dominantes e os setores populares. (...) Lula e o PT (...) Com isso, além de empulhar o País, contribuem para desalentar largas parcelas de nosso povo ...”
Vejamos
abaixo os argumentos e os dados que comprovam esta tese que já vimos
defendendo no CeCAC.
Em primeiro lugar, o governo atual não modificou a política econômica
de Collor/ FHC - e isto é importante de se ter claro - exatamente porque
Lula, o PT, o PC do B e os mal ditos partidos de “esquerda”, seus
aliados, não propõem qualquer ruptura com o modelo atual de inserção
subordinada do Brasil ao imperialismo.
Segundo, Lula e o PT governam com a direita. É sintomático na
composição da equipe econômica o esquecimento dos “economistas
do PT” ou de qualquer outro intelectual coerente e honesto, substituídos
pelo trio Meirelles-Levy-Lisboa e seus asseclas, com a raríssima exceção
dos excessivamente distraídos que ainda não acordaram para a realidade.
Terceiro, e mais significativo ainda - em sintonia com uma prática de
submissão política e econômica ao imperialismo - Lula, o
PT e toda a “esquerda” a sua volta não estimularam um movimento
de massas que pudesse sustentar, ativamente, uma eventual ruptura com a “herança”
e a aplicação de qualquer política mesmo que só
levemente diferente.
Exemplo maior disso é a postura chapa-branca da CUT que tem “mais
de 40” de seus dirigentes no governo, botando panos quentes nas lutas
sindicais, satisfeitos com seus cargos em órgãos governamentais,
defendendo a política econômica que gera desemprego recorde, subemprego,
queda de salários e da renda dos operários e trabalhadores que
por definição têm a obrigação de defender.
Como todos sabemos, “sem as massas, nada”...
A escolha política pela continuidade nos leva à segunda tese que
defendemos:
Lula, o PT e os partidos aliados aprofundam a política econômica
de Collor/FHC por que estão convencidos pela ideologia dominante.
A aposta no modelo econômico claramente fracassado baseia-se na crença
de que o mesmo teria virtudes ocultas, não obstante sua aplicação
há mais de uma década. Sua virtude oculta não teria vindo
à luz em razão de sua implementação equivocada no
primeiro mandato de FHC: sobrevalorização do real, descontrole
fiscal, excessiva vulnerabilidade externa, etc.
Ou seja, o que o governo de Lula e do PT fazem agora é aprofundar o modelo
econômico neoliberal de Collor/FHC, “corrigindo” suas falhas
com a “coragem” que antes deles ninguém teve: Collor, FHC,
etc... Alerte-se aos leitores: não por coincidência tal modelo,
“corrigido”, é exatamente o imposto pelo FMI a partir dos
acordos iniciados no final de 1998.
A política econômica à qual o governo de Lula e do PT submete
os trabalhadores e as demais classes populares é, portanto, a continuidade,
aprofundada com “coragem”, da “herança maldita”
do período Collor/FHC.
A política do governo Lula gira em torno de três itens fundamentais:
1º. - a permanência do acordo com o FMI como expressão maior
da submissão aos ditames neoliberais sob o álibi de conquistar
a confiança do capital financeiro, internacional e nacional;
2º. - a permanência da santíssima trindade entronizada pelo
deus mercado: as metas para a inflação, o arrocho fiscal e o câmbio
flutuante, com todas as suas conseqüências diretas, entre elas os
juros altos, entre os maiores do mundo, e a severa restrição aos
investimentos públicos, ambos com evidente viés recessivo; e
3º. – a permanência de uma equipe econômica composta
de remanescentes da era FHC - dentre os quais o mais influente assessor de Palocci,
Joaquim Levy -, reforçada por ex-funcionários e consultores do
FMI, doutores neoliberais formados em conservadoríssimas universidades
dos EUA, e, símbolo supremo da submissão, “um banqueiro
estadunidense mascarado de brasileiro à frente do Banco Central”.
O aprofundamento da política Collor/FHC se constata na inflexibilidade
dogmática com que o governo de Lula, do PT e de seus aliados aplica a
política econômica neoliberal, achando que assim “corrigirão”
as falhas que a “covardia” de Collor/FHC impediu de enfrentar.
Essa inflexibilidade dogmática na aplicação da política
econômica se traduz também na aceitação satisfeita
das metas acertadas com o FMI e na vanglória de superá-las.
É só ver em relação à política de
arrocho fiscal: o governo de Lula e do PT anunciou que o superávit primário
deveria ser de, pelo menos, 4,25% do PIB durante todo o seu mandato. Isso significa
não só superar a meta estabelecida pelo FMI como também
superar em 0,5 ponto percentual acima da maior meta de arrocho fiscal de todos
os oito anos de FHC! Ou seja, aproximadamente R$ 6 bilhões a menos em
gastos públicos destinados integralmente a “resgatar a dívida
pública” ou, dizendo em português claro, transferência
de recursos da saúde, educação, etc. para o sistema financeiro.
No que diz respeito à meta para a inflação, o governo de
Lula e do PT optou por validar tal regime, apenas ajustando a meta para 8,5%
em 2003, tão irrealista que já em novembro fora superada. Trocando
em miúdos, o governo de Lula e do PT se obrigou a uma meta que sabia
de antemão impossível cumprir, e mesmo assim tomou medidas para
fingir cumpri-la, como aumentar os juros e os depósitos compulsórios,
agravando a crise econômica e jogando o país na recessão.
O aprofundamento da política econômica de Collor/FHC no primeiro
ano de mandato do governo de Lula e do PT traduz-se na radicalização
de todas as metas da política econômica neoliberal, na opção
deliberada pela recessão, com desemprego, subemprego e abandono da massa
de miseráveis como instrumentos para ganhar a confiança e a credibilidade
do capital financeiro.
Em suma: O governo de Lula, do PT e dos partidos seus aliados, trata de governar
para o imperialismo e pelo imperialismo tendo plena consciência das conseqüências
para nosso povo das políticas impostas ao país pelo capital financeiro.
E não deve surpreender a ninguém que continuem defendendo esta
política com a radicalidade de quem está fazendo a revolução:
“Após cerca de sete horas de reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dez ministros, e o presidente do Banco Central, nesta quarta-feira, (...) Coube ao ministro da Fazenda informar à imprensa (...) Palocci falou também do compromisso do governo Lula com o rigor fiscal. Segundo ele, "o comportamento fiscal", com medidas como corte de gastos e um superávit primário de 4,25% do Produto Interno Bruto, "vai continuar neste e nos próximos anos". Segundo Palocci, o Brasil decidiu que será "um país arrumado e não vai dar uma ajeitada nas contas" para fins de uma ou outra eleição. "E isso não é um objetivo de ministros, de governo e sim, de um país", garantiu.”
Os
resultados de tal política não deveriam surpreender ninguém.
Pelo lado da produção, contração na atividade industrial
e nos serviços; aumento do desemprego em níveis recordes; arrocho
nos rendimentos dos trabalhadores; e, na melhor das hipóteses, “PIB
zero”, só escapando a agropecuária de exportação
incentivada pelo imperialismo na busca de reconverter o Brasil à situação
de colônia.
Do ponto de vista do capital financeiro, exatamente o inverso: enorme euforia,
com nível recorde da Bolsa de Valores de São Paulo, redução
acentuada do “risco Brasil”, recorde de valorização
dos títulos da dívida externa, recorde no montante dos juros da
dívida pública pagos e, claro, recorde no lucro dos bancos.
O “medo” do capital financeiro de Lula, do PT e dos partidos de
“esquerda” se desmanchou no ar... O PT e os partidos de “esquerda”
que compõem o governo apodreceram!
“É
neste caldeirão efervescente que o povo brasileiro será confrontado
em 2004 com a necessidade de opções inadiáveis. O discurso
oficial do governo não consegue já ocultar o malogro de uma estratégia
que, invocando a necessidade de pôr a casa em ordem e evitar o descalabro
econômico e financeiro, foi gradualmente cimentada em concessões
inaceitáveis ao imperialismo. (...) O PT apodrece visivelmente.
O Brasil, cujo leme é controlado por políticos que rumam contra
o sentido da história, terá, assim o espero, que assumir no Continente
o papel insubstituível para o qual está vocacionado. Não
há discurso tático que possa justificar, na crise de civilização
contemporânea, políticas de transição que servem
aos objetivos de uma estratégia que encaminha a humanidade para o abismo.
Resistir, com a cabeça fria, com prudência, mas com firmeza e lucidez,
é um dever para os povos da América Latina, tão diretamente
ameaçados. Cada qual de acordo com a sua situação específica.
Cuba, por exemplo, resiste heroicamente há 45 anos. A coragem demonstrada,
num contexto de tragédia, pelos povos do Iraque, do Afeganistão
e da Palestina lembra-nos de que o inimigo é mais vulnerável do
que parece e que, cedo ou tarde, todos os povos terão de intervir na
batalha, em defesa da sua própria sobrevivência.”
É
importante reafirmarmos aqui, e nesta conjuntura precisa, a análise de
conjuntura e a definição das tarefas, que a nosso ver, estão
na ordem do dia para o povo brasileiro e que defendemos em número anterior
deste Boletim, “ ‘(...) as classes dominadas no Brasil estão
ainda num processo, no geral, defensivo, apesar de que a eleição
de Lula expressou seu grau de insatisfação’ e sabemos que
é na luta de classes que a classe operária constrói suas
organizações de luta sindical e política e sua teoria.
E nesta conjuntura de defensiva das classes dominadas, em que temos um metalúrgico
[com as posições políticas de Lula] como presidente, temos
de levar em consideração que as classes dominadas se vêem
na necessidade de encaminhar suas lutas sem contar com sua organização
sindical e política de luta.
O que diz o marxismo-leninismo é que a história é a história
das lutas de classes, que são as massas exploradas que fazem a história
e a fazem na luta de classes sob a direção da organização
política da vanguarda do proletariado. E que o partido não poderá
assumir esse papel de direção, que pressupõe a educação
das massas, sua mobilização e organização, se não
estiver profundamente ligado a ela, se não fizer corpo com a classe operária
e com as massas exploradas nos desafios de suas reivindicações
objetivas econômicas e políticas. Porque, quando as massas se põem
em movimento, só aceitam a direção política do partido
se este já há muito tempo faz corpo com elas em seu dia a dia,
se já esta há muito tempo unido a elas na longa, difícil,
heróica, tenaz, e no mais das vezes silenciosa, luta contra a exploração
econômica do regime capitalista, seguindo uma linha justa.
Se o partido se afasta, desaparece das massas enquanto partido revolucionário,
é prova de que não tem uma linha e uma prática justas em
relação a sua própria função política
e a sua própria função diante do proletariado e das massas.
O partido deve preocupar-se, até mesmo nos detalhes, com as reivindicações
das massas, fazendo o trabalho que lhe é específico, o trabalho
de esclarecimento, educação, propaganda, agitação
e organização políticas. Isto pressupõe a condição
absoluta de que o partido exista na classe operária e nas massas manifestando-se
aí enquanto tal. Seja conhecido e apreciado pelas massas, pela sua linha
política e ideológica e pela prática de seus militantes
e dirigentes. Só através de um largo período junto às
massas, aprendendo com elas e educando-as, mobilizando e organizando sua luta
de acordo com uma linha justa é que as massas reconhecerão o partido
como seu, como sua vanguarda.
Portanto, a tarefa que cabe neste momento, no qual o proletariado está
na defensiva, é a de estimular a ação da classe operária
e seus aliados naturais - não as pseudovanguardas com quem tanto gosta
de se distrair os esquerdismos - mas o proletariado, e não só
o proletariado, mas também os trabalhadores assalariados das cidades
e do campo, os camponeses em vias de proletarização, os camponeses
pobres, os funcionários públicos, as camadas médias, e
todos os que são objetivamente vítimas da exploração
capitalista, mobilizando-os, organizando-os, educando-os para os engajar na
luta a partir de uma linha justa.
E a linha justa hoje, não pode ser outra que não seja a de mobilizar,
organizar, educar e dirigir a classe operária e seus aliados no cotidiano
da luta de classes, nas suas reivindicações materiais, econômicas,
das mais simples às mais elevadas. Luta que se trava sem interrupção,
de maneira surda ou visível, e se irradia da prática da produção
para todas as esferas da sociedade, reconstruindo suas organizações
de luta, tendo a consciência que a batalha pelas reivindicações
da massa – a luta econômica – é uma luta política
e que a luta política só se dá sobre o terreno objetivo
da luta econômica.
Luta pelas reivindicações concretas das massas, contra o desemprego,
por melhores salários, melhor condição de trabalho e de
vida, pela terra, por melhor condição de trabalho na terra. Lutas
que as massas já estão travando em sua condição
concreta, sem deixar de lhes apontar os limites destas e de lhes esclarecer
sobre seus interesses.
Consideramos que o objetivo prioritário do trabalho político e
organizativo é o de realizar a fusão real da luta econômica
e política da classe operária e de seus aliados nas cidades e
no campo, reconstruindo suas organizações de luta sindical e seu
partido político” [1]
Marco Antonio V. dos Santos
______________________
* Rodrigues, Miguel
Urbano. “O desafio da América Latina”. www.correiocidadania.com.br
- edição 378 de 04-11 de janeiro de 2004.
1. Boletim do CeCAC,
no 4, setembro de 2003.